
O ano de 2026 marca um ponto de inflexão para algumas das principais tecnologias ligadas à agenda climática e energética. Em um contexto de urgência para reduzir emissões e, ao mesmo tempo, garantir segurança no fornecimento de energia, soluções que vinham sendo desenvolvidas há anos começam, agora, a sair do laboratório e ganhar escala industrial.
Uma seleção recente da MIT Technology Review aponta três frentes que ajudam a entender para onde o setor está caminhando: baterias de íons de sódio, a nova geração de energia nuclear e a expansão acelerada dos data centers em escala gigante, impulsionados pela inteligência artificial.
As baterias de íons de lítio seguem dominando aplicações que vão de smartphones a veículos elétricos e sistemas de armazenamento para redes elétricas. No entanto, a combinação entre a oferta limitada de lítio e a volatilidade de preços do metal intensificou a busca por alternativas. É nesse cenário que as baterias de íons de sódio começam a se destacar.
Segundo o MIT Technology Review, o sódio é amplamente disponível na natureza e, por isso, tende a reduzir custos e riscos na cadeia de suprimentos. Além disso, esse tipo de bateria apresenta menor propensão a incêndios, um fator relevante para aplicações em larga escala. A principal limitação está na densidade energética: elas armazenam menos energia do que as de lítio. Ainda assim, para usos como armazenamento estacionário na rede elétrica ou veículos elétricos de menor porte, essa desvantagem pode ser compensada pelo custo e pela segurança.
Nos últimos anos, empresas asiáticas lideraram os investimentos nessa tecnologia. A chinesa CATL, uma das maiores fabricantes globais de baterias, anunciou o início da produção em escala comercial a partir de 2025, sinalizando que a tecnologia está pronta para aplicações reais.
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Energia nuclear busca um novo modelo
A energia nuclear continua sendo uma fonte relevante de eletricidade estável em diversos países. No entanto, grandes usinas construídas ao longo do século 20 enfrentam desafios para expansão: projetos bilionários, longos prazos de construção e estouros frequentes de orçamento dificultaram novos investimentos, especialmente em mercados maduros.
A chamada nova geração de reatores tenta romper com esse modelo. Em vez de plantas gigantescas, algumas empresas apostam em reatores menores, com estruturas modulares que facilitam o financiamento e reduzem riscos de atraso. Outras iniciativas focam em mudanças técnicas, como o uso de novos combustíveis e sistemas de resfriamento alternativos, capazes de aumentar a eficiência e reforçar a segurança operacional.
Nos Estados Unidos, a Kairos Power tornou-se a primeira empresa a obter autorização para iniciar a construção de um reator desse novo tipo voltado à geração de eletricidade. Paralelamente, a China vem se consolidando como um dos principais polos de desenvolvimento nuclear, com projetos conduzidos por empresas estatais e foco em tecnologias de próxima geração.
Data centers gigantes entram no radar climático
Embora não sejam tradicionalmente classificados como tecnologias climáticas, os data centers passaram a ocupar um papel central no debate energético. A explosão do uso de inteligência artificial exige infraestruturas cada vez maiores, capazes de consumir volumes inéditos de eletricidade.
Algumas das novas instalações projetadas para suportar cargas de IA demandam um gigawatt ou mais de energia, o equivalente à produção de uma usina nuclear convencional dedicada a um único complexo. Esse crescimento acelerado pressiona redes elétricas, gera disputas locais por recursos e amplia o debate público sobre impactos ambientais e planejamento energético.
Ao mesmo tempo, esses data centers se consolidam como parte essencial da infraestrutura digital global. Sua expansão ajuda a explicar por que tecnologias de geração e armazenamento de energia aparecem cada vez mais conectadas ao avanço da computação e da inteligência artificial.
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