Skip to main content
Caju
Eduardo del Giglio, CEO e cofundador da Caju | Crédito: Divulgação/Arte por Startups

Antes de fundar a Caju, Eduardo del Giglio já conhecia bem os altos e baixos do empreendedorismo. Entre 2014 e 2017, ele esteve à frente da Blumpa Tecnologia, startup que conectava clientes a profissionais de limpeza autônomos. A experiência marcou seu primeiro ciclo como fundador e deixou aprendizados que, anos depois, seriam decisivos para a construção de um novo negócio.

Após esse período, Eduardo passou alguns anos fora do dia a dia das startups. Entre 2017 e 2019, trabalhou como consultor na McKinsey & Company, onde ampliou sua visão sobre estratégia, escala e construção de negócios. Esse intervalo ajudou a amadurecer a vontade de voltar a empreender – agora com mais clareza sobre o tipo de empresa que queria criar.

A Caju nasceu em 2019 com a proposta de usar tecnologia para transformar a experiência de benefícios corporativos e a gestão de pessoas. Hoje, a empresa oferece soluções para RHs, empregadores e gestores evoluírem a experiência, a operação e o cuidado com seus colaboradores. A plataforma soma mais de 60 mil clientes e ultrapassa a marca de 1 milhão de usuários.

Nesta edição do 5 Minutos com, Eduardo fala menos sobre métricas e mais sobre trajetória. Ele revisita erros, decisões e aprendizados ao longo do caminho e conta como construiu a Caju com uma visão de longo prazo, sem abrir mão de se divertir no processo. Veja, a seguir, os melhores momentos dessa conversa: 

Antes da Caju existir, o que mais te incomodava na forma como as empresas lidavam com benefícios?

Eduardo del Giglio: Eu tinha uma vontade pessoal de voltar a empreender. Já tinha empreendido antes e, mesmo com todos os desafios, a experiência foi muito realizadora.

Queria trabalhar com tecnologia, sempre gostei muito de produto, mas ainda não sabia para qual setor olhar. Quando conheci mais a fundo o mercado de benefícios, a conta fechou. Não conseguia acreditar que, como pessoa física, eu tinha experiências excelentes com produtos financeiros, enquanto, na pessoa jurídica, a experiência era tão arcaica.

O que mais me incomodava era a falta de cuidado com a experiência do usuário. Vou dar um exemplo: um dos aplicativos dos grandes players da época tinha até banner de propaganda. A empresa cobrava 5%, 6%, 7% de MDR (a taxa descontada de cada transação do estabelecimento) e, do outro lado, o colaborador, deveria ter facilidade para usar o benefício, ainda corria o risco de clicar num banner e parar em uma página aleatória.

Aquilo me deu um insight. Sou muito fã do Nubank e, em paralelo, comecei a pensar que dava para construir uma experiência muito melhor no mercado de benefícios. No fundo, o que mais me incomodava era a falta de incentivo para criar uma boa experiência. O incentivo era apenas extrair valor, enquanto eu acreditava que os RHs queriam, de fato, oferecer algo melhor para os colaboradores.

Como os aprendizados da primeira empreitada facilitaram a sua segunda jornada empreendedora?

Muita gente fala que começar é a parte mais difícil, mas eu discordo. Para mim, começar é a parte mais fácil e mais divertida. É quando você pensa no nome, logo, site, na proposta de valor. Essa fase é muito gostosa.

Dessa vez, eu não tinha medo nenhum de começar. Estava confiante no que estava fazendo, em como negociar e em como estruturar o negócio. Acho que, justamente por ter cometido muitos erros na primeira vez, a segunda jornada foi muito mais fácil nesse sentido.

Também foi mais simples levantar investimento, porque o ecossistema estava mais maduro. Muitos dos fundos que investiram na Caju nem existiam quando empreendi pela primeira vez. Além disso, havia uma preferência clara por investir em um founder que já tinha empreendido antes, independentemente do nível de sucesso. Minha experiência em consultoria, onde atuei após a primeira empreitada e antes da Caju, também ajudou bastante nessas conversas.

Crescer rápido em um mercado regulado traz desafios. Quais decisões você considera mais relevantes na trajetória da Caju?

Ter sempre jogado limpo foi uma decisão muito importante em um mercado regulado. Desde o início, fomos diligentes e cuidadosos, sempre com uma visão de longo prazo, pensando nos relacionamentos que queremos construir ao longo de décadas.

Isso significou não cortar caminhos. Montamos times de segurança, compliance e jurídico muito cedo. Em muitos casos, empresas diriam que ainda não era o momento de investir nisso, mas a gente sabia que essas bases sólidas precisavam ser construídas desde o início. Também contratamos bons profissionais e consultorias externas para nos assessorar. Em um mercado regulado, isso fez toda a diferença.

Qual é a sua leitura do mercado de benefícios corporativos no Brasil hoje e como a Caju se posiciona nesse contexto?

Hoje, além de benefícios, a Caju atua em outros segmentos, mas os benefícios ainda representam a maior parte da nossa receita.

O mercado está em ebulição. Quando começamos, tínhamos algumas crenças sobre como ele evoluiria – e, de fato, caminhou nessa direção. Sempre acreditamos que os preços estavam em um patamar irreal, especialmente as taxas de transação e o MDR. Achávamos que essa correção viria pela própria dinâmica de mercado, mas ela acabou acontecendo, em parte, por meio de um decreto. Ainda estamos vivendo esse processo, com liminares e ajustes, mas acreditamos que essa mudança vai se consolidar em breve.

O que muda, agora, é o foco da discussão. Antes, as empresas olhavam muito para rebate ou para o custo do plano de saúde. Agora, a pergunta passa a ser: quem oferece a melhor experiência para o colaborador? Quem é mais seguro? Quem entrega um pacote completo? É para esse novo paradigma que a Caju vem se preparando há anos.

Qual é a visão da Caju para continuar crescendo e ganhar mais mercado?

A gente quer ser cada vez mais conhecido. Quando conseguimos chegar às empresas e contar a nossa história, normalmente fazemos com que os potenciais clientes testem o produto – e esse é o melhor cenário possível. Nada melhor do que testar para entender se o produto é bom ou não.

O grande desafio está justamente em ampliar esse alcance. Vamos continuar investindo para aumentar o awareness, especialmente junto às lideranças de RH, tanto em São Paulo quanto em outras regiões do Brasil.

Além disso, seguimos investindo forte em produto e em diversificação. Nossa ambição é criar um ecossistema completo para as empresas que usam a Caju. Seja para benefícios, software de RH ou despesas corporativas, a ideia é estar cada vez mais presente na jornada do colaborador. Hoje, já participamos de vários momentos, como pedido de férias, uso de benefícios e acesso ao holerite, e queremos avançar para frentes como participação de salário, crédito e outros produtos.

Do ponto de vista financeiro, estamos muito confortáveis e bem capitalizados. No momento, não temos nenhum plano aberto para uma nova rodada de investimentos.

Fora números e valuation, qual foi a maior conquista pessoal que a Caju te trouxe?

Quando pensei em voltar a empreender, queria construir uma empresa em que eu me divertisse. Acho que a maior conquista foi justamente essa. Hoje, com quase 700 colaboradores, ainda me divirto muito no dia a dia. Criar uma empresa desse tamanho já é algo enorme, mas conseguir fazer isso mantendo esse prazer ao longo do caminho foi, sem dúvida, a maior conquista.

Raio X – Eduardo del Giglio

Um fim de semana ideal tem… Família e churrasco

Um livro que você recomenda: “Not Fade Away”, de Laurence Shames

Artista que não sai da sua playlist: Ultimamente, Zach Bryan

Uma mania: Ler jornal em papel, todos os dias. Sou chamado de velho por todos, mas adoro passar pelas páginas

Sua melhor qualidade: Boa memória

O post 5 Minutos com: Eduardo del Giglio, CEO e cofundador da Caju apareceu primeiro em Startups.