
Uma função antes restrita ao alto escalão de governos está ganhando terreno no setor privado, inclusive no ecossistema de inovação. O chefe de gabinete (ou Chief of Staff, na sigla em inglês) é um profissional que atua como principal assessor de um executivo, atuando como um “multiplicador de força”.
A ideia é que esse profissional garanta que uma visão estratégica seja de fato traduzida em execução. É uma função especialmente útil no Brasil e entre startups – cujos fundadores são normalmente profícuos de boas ideias, mas nem sempre atentos à execução.
Soma-se a isso uma estatística assustadora. No Brasil, cerca de um milhão de empresas são abertas todos os anos, e um terço delas (330 mil) fecham todos os anos. A maioria não chega a completar cinco anos de existência, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No universo das startups brasileiras, nove a cada 10 não sobrevivem ao período inicial, de acordo com a Startup Genome.
“O CoS [Chief of Staff] atua como uma âncora operacional, garantindo que a visão de longo prazo não se perca no dia a dia dos negócios. É o profissional que transforma estratégia em realidade, assegurando que todas as ‘peças da organização’ se movam na mesma direção”, explica em comunicado Carolina Laboissiere, Diretora Regional da Chief of Staff Association (CSA) no Brasil e América do Sul.
Para a especialista, esses predicados são especialmente úteis entre startups e scale-ups. Em um mercado de mudanças rápidas, esse papel vai além de conectar visão e execução, diz ela, com o CoS se tornando um “verdadeiro multiplicador de eficiência”. O cargo não substitui outras funções de liderança, mas atua como catalisador da estratégia, articulando times, destravando gargalos e antecipando riscos.
Leia mais: Em 2026, 44% dos CEOs brasileiros temem tensões comerciais e riscos da IA
De acordo com a CSA, nos últimos dois anos a demanda global por CoS especializados em diferentes segmentos do mercado – incluindo o ecossistema de inovação – cresceu 28%. Pensando nisso, a diretora lista cinco motivos para as startups e scale-ups apostarem em um profissional com esse perfil. São elas:
- Escalabilidade estruturada
Startups que crescem rápido correm risco de se perder na própria expansão. E o CoS garante que o crescimento seja sustentável, “sem queimar etapas ou comprometer a operação. Ele organiza a escalada de forma previsível, evitando que a empresa seja mais uma entre as 90% que não sobrevivem aos primeiros anos”, afirma Carolina.
- Eficiência multiplicada
De acordo com a CSA, CEOs e fundadores gastam grande parte do tempo resolvendo questões operacionais que poderiam ser delegadas. “Com o CoS, o líder máximo volta a focar na estratégia e na captação de recursos (…). Esse ganho de eficiência pode ser decisivo na fase crítica de captação ou entrada em novos mercados”, explica.
- Alinhamento entre áreas
Desalinhamento interno está entre as principais causas de fechamento das startups, segundo o Sebrae. “O Chief of Staff conecta tecnologia, produto, marketing e operações, garantindo que todos falem a mesma língua. É a pessoa que desmonta silos e cria coesão organizacional, algo vital para empresas que ainda estão formando sua cultura”, diz a especialista.
- Antecipação de riscos
A CSA diz que crises em startups poderiam ser evitadas com monitoramento adequado de processos. E o CoS tem essa função preventiva. “Ele não só apaga o fogo, mas constrói sistemas para minimizar impactos externos ou prevenir que incêndios internos ocorram”, pondera Carolina.
- Cultura e retenção de talentos
Um dos maiores desafios para empresas iniciantes é reter profissionais em um ambiente de muita pressão e mudanças. O CoS pode, então, ajudar a preservar a visão de longo prazo para os times. “Isso aumenta o engajamento e reduz a rotatividade, que costuma ser até 30% maior em startups do que em empresas consolidadas”, diz.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!


