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A imagem mostra um conceito de cibersegurança, com um fundo escuro e um teclado de computador iluminado. Uma mão está digitando no teclado, enquanto ícones de cadeados digitais aparecem sobrepostos. Os cadeados vermelhos representam vulnerabilidades ou riscos de segurança, enquanto um cadeado azul no centro simboliza proteção e segurança digital (profissionais, xp, trabalho, indústrias)

por Bruno Lobo, diretor-geral da Commvault para América Latina

Em um mundo cada vez mais digitalizado, onde as ameaças cibernéticas são inevitáveis, construir uma cultura de ciber-resiliência deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica para as organizações. Não se trata apenas de adotar soluções de backup e recuperação, mas de transformar a segurança cibernética em um pilar essencial da gestão de riscos e da continuidade dos negócios.

A ciber-resiliência é, acima de tudo, a capacidade de uma organização continuar operando, mesmo sob ataque ou em situações de comprometimento da infraestrutura de TI. O desafio, portanto, não é eliminar completamente os riscos — uma meta inalcançável —, mas garantir que a empresa esteja preparada para responder, adaptar-se e recuperar-se rapidamente.

A seguir, compartilho cinco princípios fundamentais para transformar a ciber-resiliência em um diferencial competitivo e garantir a continuidade dos negócios frente a um cenário digital cada vez mais hostil.

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1. Integrar a ciber-resiliência à gestão de riscos

O primeiro passo para construir uma cultura de ciber-resiliência é reconhecer que a segurança cibernética deve ser tratada como uma dimensão estratégica da gestão de riscos. Não é uma questão meramente técnica, mas sim uma abordagem que permite ao negócio manter a operação de serviços essenciais, mesmo diante de crises.

Quando os riscos tecnológicos são mapeados e gerenciados como parte do planejamento corporativo, a organização se prepara melhor para enfrentar falhas inevitáveis. Exemplos práticos incluem simulações de perda total de conectividade, que forçam as equipes a validar a eficácia dos planos de contingência.

2. Fortalecer a preparação para incidentes

Nenhum plano de ciber-resiliência é eficaz sem um alto nível de preparação. É fundamental realizar exercícios regulares de cenários críticos — como ataques que resultem em perda completa de conectividade ou paralisação de sistemas-chave.

Essa preparação fortalece a tolerância à falha e acelera a capacidade de resposta. Por exemplo, instituições financeiras podem simular interrupções em sistemas de pagamento, obrigando equipes a executar processos manuais e assegurando a continuidade do serviço ao cliente. A prática regular desses cenários transforma a preparação em uma vantagem competitiva.

3. Definir responsabilidades claras e promover o comprometimento com os resultados

A ciber-resiliência não pode ser responsabilidade exclusiva da equipe de segurança ou do CISO. É essencial que a responsabilidade pela segurança esteja distribuída entre todas as áreas da organização, principalmente entre aqueles que implementam e operam as tecnologias.

Cada profissional, ao desenvolver ou operar uma solução, deve ser responsável também por garantir a segurança e a resiliência daquele processo. Esse modelo evita que a segurança seja um pensamento posterior e a posiciona como uma competência central de todos os colaboradores. Por exemplo, em uma planta industrial, o engenheiro responsável pela digitalização de processos deve assegurar a proteção cibernética de sua solução, e não apenas delegar essa função para o time de segurança.

4. Transformar a função de segurança em um papel consultivo e estratégico

A função de segurança da informação deve evoluir de uma área operacional para um papel consultivo e estratégico. Em vez de concentrar todas as ações, o time de segurança deve atuar como um segundo nível de defesa, fornecendo orientação, inteligência e suporte aos times técnicos e operacionais, que passam a ser os principais agentes de segurança.

Essa mudança amplia a eficácia da segurança cibernética, tornando-a mais integrada aos processos de negócio e menos suscetível a silos organizacionais.

5. Implementar estratégias de sustentação (Plano B)

Por fim, a resiliência depende da capacidade de manter as operações mesmo durante interrupções severas. Isso exige a criação de estratégias de sustentação — ou “Plano B” — para garantir a continuidade do negócio quando os sistemas primários falharem.

Esse planejamento inclui desde sistemas de backup até processos manuais e canais alternativos de comunicação. Um exemplo claro está no setor de saúde: hospitais que mantêm planos para operar com registros médicos em papel e check-ins manuais garantem a continuidade do atendimento, mesmo quando os sistemas eletrônicos ficam indisponíveis.

Ciber-resiliência não é um projeto com começo, meio e fim — é uma capacidade organizacional contínua, que exige evolução permanente diante de novas ameaças e mudanças tecnológicas. Ao integrar a gestão de riscos, fomentar a responsabilidade compartilhada, preparar respostas eficazes e garantir planos de sustentação, as empresas fortalecem sua posição no mercado e protegem seus ativos mais valiosos: a confiança dos clientes e a continuidade das operações.

A hora de agir é agora. Quanto mais cedo a cultura de ciber-resiliência for incorporada ao DNA da organização, maior será a capacidade de enfrentar o inesperado e transformar crises em oportunidades de crescimento sustentável.

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