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Uma pessoa está em pé em um ambiente de escritório, apoiada em um corrimão. O rosto da pessoa está oculto. Ao fundo, é possível ver móveis de escritório, como estantes com diversos objetos e cadeiras dispostas ao redor de mesas. (Octágora e timing)

Quando se reuniu pela primeira vez com seus futuros dois sócios para criar a Octágora, Daniel Vidal Cussi não fazia ideia do que estava por vir no restante do mundo – e como isso poderia impulsionar sua futura empresa. O atual CTO da startup já havia tentado empreender em duas outras ocasiões. No entanto, após mais de 10 anos atuando com atendimento ao cliente, decidiu arriscar uma terceira vez.

Ao lado de Celso Rosa e Marcelo Izumi, Cussi identificou uma lacuna nas ferramentas voltadas à experiência do cliente e desenvolveu uma solução de assistência técnica virtual e remota. Preparados, foram surpreendidos pela sorte. No mesmo ano em que o produto foi finalizado, o mundo passou a adotar medidas de restrição para conter a Covid-19, o que acelerou a digitalização das empresas.

“Era uma época em que ninguém queria receber um técnico em casa, e nós tínhamos uma ferramenta que permitia que isso ocorresse de forma remota”, explica o empresário. Quase que de maneira repentina, companhias como Claro, Comgás e Electrolux – que permanecem na carteira de clientes da startup – demonstraram interesse pelo serviço, contribuindo para que a Octágora não apenas validasse o produto, como também o escalasse.

O movimento chamou a atenção da venture capital Domo, que realizou o primeiro aporte na empresa e viabilizou uma nova etapa de crescimento: o desenvolvimento de módulos adicionais dentro da plataforma. “Nós começamos a incorporar mais recursos de multicanalidade à nossa solução.” Atualmente, além das chamadas de vídeo, o sistema integra o chat da empresa, WhatsApp, Telegram e e-mail – todos exibidos na mesma interface para o operador responsável pelo atendimento.

Após essa expansão para outros canais, a Octágora também estendeu sua aplicação para funcionar em libras e em óculos de realidade aumentada (RA). “Nossa ideia era ampliar nossa atuação para a indústria, pois, nesse ambiente, muitas vezes o operador precisa manter as mãos livres para trabalhar, mas ainda assim pode receber orientação remota.”

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E, se da primeira vez, os empresários contaram um pouco com a sorte para alavancar seu negócio, cinco anos depois, foi a maturidade e a percepção de mercado que fez com que eles decidissem expandir suas soluções para o presencial.

Após a pandemia, a startup passou a criar cabines híbridas que possam atender clientes que vão há agências em busca de informação. Com elas, o usuário pode pegar a senha para o atendimento, preencher sua solicitação de protocolo antecipadamente e até ser atendido de forma virtual, dentro da agência, caso não queria esperar pela fila.

“Percebemos que esse modelo encaixou muito bem com o setor de distribuição de energia, então estamos buscando outros provedores de energia e adentrar mais este mercado”, afirma Cussi. O cofundador também conta que a empresa tem se destacado com clientes da construção civil, no auxílio a vistorias pós obra, e no setor bancário com suas soluções de linguagem de libra.

Sem vontade de parar por aí, em fevereiro deste ano, a startup passou por mais uma rodada de investimentos. Foram captados R$ 1,4 milhão, com a rodada liderada pela B Venture Capital (BVC), seguida pela Domo e Wow Aceleradora. O dinheiro, de acordo com o CTO, será aplicado no fortalecimento da operação comercial e no aprimoramento de tecnologias para aplicação hands-free e inteligência artificial generativa.

“Nós queremos crescer a empresa de forma proporcional a cada passo. Começamos no comercial e, no retorno, vamos ajustando o resto da estrutura pra dar conta do que precisamos atender.” Neste ritmo, o plano é dobrar o crescimento nos próximos dois anos, expandindo em segmentos como varejo, telecomunicações e serviços financeiros.

Próximo timing perfeito?

Mesmo com um cenário favorável, ainda existe um sonho de Cussi que não deslanchou dentro da empresa. Viciado em criar, o desenvolvedor tem em seu portfólio uma solução que permitiria aos consumidores identificar problemas em seus aparelhos por meio da inteligência artificial.

A ideia, embora empolgante para diversos clientes, sempre esbarra em um obstáculo para ser implementada: a escassez de dados. “Esse é um projeto customizado, porque precisaríamos treinar a IA com as informações do cliente”, explica. “Há muitos manuais descrevendo o que é necessário, mas não temos evidências, principalmente visuais, para conseguir prestar o serviço.”

Ainda assim, com o avanço da IA nas organizações, o executivo se mostra bastante otimista e afirma que, quando o momento certo chegar, eles estarão prontos.

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