
A QpiAI, startup indiana que combina inteligência artificial e computação quântica para aplicações industriais, acaba de levantar US$ 32 milhões em uma rodada Série A. O investimento foi coliderado pelo governo da Índia, por meio do programa National Quantum Mission, e pela Avataar Ventures, avaliando a empresa em US$ 162 milhões após o aporte.
Com sede em Bengaluru e presença nos EUA e Finlândia, a QpiAI é uma das oito startups selecionadas pelo programa nacional de tecnologia quântica, criado para posicionar a Índia como potência global na área.
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Computador quântico com 64 qubits
Fundada em 2019, a QpiAI afirma ter desenvolvido o primeiro computador quântico full-stack da Índia, o QpiAI-Indus, lançado em abril com 25 qubits supercondutores. A empresa agora planeja lançar um novo sistema com 64 qubits em novembro, com disponibilidade para clientes a partir do segundo trimestre de 2026.
“Quantum pode tornar a IA muito mais robusta”, afirmou o fundador e CEO, Nagendra Nagaraja, em entrevista ao TechCrunch. Ele destaca que a inteligência artificial ajuda a otimizar o design de qubits, essencial para a criação de sistemas com correção de erros em larga escala.
Entre os principais casos de uso da tecnologia estão descoberta de materiais, síntese de medicamentos, otimização industrial, finanças e cadeias de transporte. A QpiAI fornece tanto hardware proprietário quanto software especializado, mirando clientes nos setores automotivo, farmacêutico, financeiro e de ciências da vida.
Índia acelera missão nacional
Lançada em 2023, a National Quantum Mission conta com US$ 750 milhões em recursos para apoiar o desenvolvimento de computadores com 50 a 1.000 qubits físicos nos próximos oito anos. Além disso, o programa incentiva o avanço em comunicação quântica via satélite, redes multi-nó, sensores magnéticos e novos materiais quânticos.
A QpiAI emprega hoje cerca de 100 pessoas, sendo metade na Índia e 25 delas com doutorado em instituições internacionais ou locais. A empresa afirma ter cerca de 20 clientes na Índia e nos EUA, incluindo o governo indiano, que utiliza sua infraestrutura para testes de algoritmos.
Com EBITDA positivo há três anos e margens líquidas entre 20% e 30%, a QpiAI planeja usar os novos recursos para expandir operações para Singapura e Oriente Médio, iniciar produção local de hardware em 2026 e desenvolver um sistema de 100 qubits lógicos até 2030.
O sucesso da startup simboliza o esforço da Índia em fomentar empresas nacionais com ambição global. “Queremos posicionar a Índia como líder mundial em tecnologias quânticas”, afirmou Ajai Chowdhry, presidente da missão nacional, em nota oficial.
O governo também apoia outras startups como QNu Labs (redes seguras quânticas), Dimira (cabos criogênicos) e PrenishQ (sistemas a laser), criando um ecossistema tecnológico avançado que pode colocar o país entre os protagonistas da nova era computacional.
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