
Por Amure Pinho
Nos últimos anos, o ecossistema de inovação tem experimentado um movimento que antes parecia raro: startups adquirindo outras startups. Algo que parecia reservado a grandes corporações, agora é uma estratégia cada vez mais comum. E não estamos falando de aquisições de startups grandes, mas sim de empresas emergentes que buscam crescer mais rápido, diversificar seus serviços, expandir mercados e, claro, adquirir talentos. Esse fenômeno veio para ficar e está transformando o jeito como os negócios digitais crescem.
Com o impacto da pandemia, a transformação digital foi acelerada e o mundo dos negócios foi obrigado a se adaptar. Entre 2020 e 2021, com o excesso de liquidez injetada pelos fundos de venture capital, a corrida por unicórnios não só gerou empresas gigantes como também levou startups com caixa robusto a olharem para aquisições como uma forma de escalar de maneira mais rápida. Em 2021, por exemplo, o número de M&As entre startups foi recorde: mais de 10.000 transações, de acordo com o relatório da CB Insights.
Mas, afinal, por que tantas startups estão investindo em aquisições? Os benefícios são claros: crescimento de market share, expansão da base de clientes, novas geografias, acesso a talentos e aceleração de novos produtos. Para muitos fundadores, a aquisição é uma maneira de diminuir os riscos de crescimento e aumentar a velocidade de escalabilidade. Afinal, em um mercado competitivo, a união pode ser uma alternativa mais eficiente que tentar crescer sozinho.
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O Brasil não ficou de fora. Em 2021, vimos a Nubank adquirindo a Easynvest e startups como Cognitect. O iFood, por sua vez, foi para o lado logístico, comprando empresas como SiteMercado e Hekima. E a Hotmart não perdeu tempo: comprou empresas fora do Brasil para ganhar presença global. O movimento é claro: expandir rápido, mas de maneira inteligente.
Mas não se engane: a aquisição entre startups não é só sobre crescimento agressivo. Quando o mercado desacelerou em 2022, muitas startups começaram a se unir para sobreviver ao chamado “inverno das startups”. Em vez de competir em um mercado saturado e de margens estreitas, muitos fundadores preferiram unir forças e criar empresas mais fortes, com maior eficiência operacional e maiores chances de um futuro bem-sucedido — seja com mais captação ou até mesmo um IPO.
No entanto, as aquisições entre startups não são tão simples assim. Como qualquer M&A, há complexidades a serem resolvidas, principalmente em uma fase inicial de validação. Due diligence é mais do que apenas analisar números financeiros. A avaliação de ativos intangíveis, como marca, tecnologia ou equipe, se torna ainda mais crucial. E a integração pós-aquisição? Esse é o maior desafio. Como juntar duas culturas e times diferentes e criar algo funcional rapidamente? Não é um trabalho fácil. Se não for bem planejado, pode resultar em perda de valor para ambas as partes e até afetar a reputação no mercado.
Apesar disso, a tendência está clara: as aquisições entre startups vão se tornar cada vez mais comuns. Plataformas como CapTable, Astella M&A e Endeavor têm ajudado a criar um mercado mais maduro para essas transações. Se, no passado, M&A era algo reservado a grandes corporações, hoje qualquer startup com o timing certo pode fazer parte dessa história de crescimento e consolidação.
O que vem por aí? Em um futuro não tão distante, veremos mais fusões horizontais entre startups que atuam em nichos semelhantes, além de aquisições verticais, que englobam toda a jornada do cliente. Isso vai gerar novos líderes de mercado, desde marketplaces e plataformas SaaS até fintechs, healthtechs e edtechs. O modelo de crescimento está mudando, e as startups estão reinventando a forma de se consolidar no mercado.
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