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Imagem de uma tela de computador exibindo abas de navegação abertas com sites das principais big techs: Google, Meta, Amazon, Microsoft e Apple. Cada aba apresenta os logotipos ou nomes dessas gigantes da tecnologia, representando sua relevância no cenário digital

Grandes anúncios de investimento feitos por big techs costumam ganhar manchetes chamativas, mas nem sempre refletem mudanças estruturais reais. O alerta é de Sam Higgins, principal analista e VP da Forrester.

Segundo ele, um exemplo recente veio da Apple, que divulgou planos de investir US$ 600 bilhões em manufatura nos Estados Unidos em quatro anos. Embora a cifra seja impressionante, grande parte dessas iniciativas já estava prevista ou em andamento, configurando mais um reposicionamento do que uma transformação, como apontou o Business Insider.

A prática não é exclusiva da Apple. Hiperscalers como AWS, Google e Microsoft seguem padrão semelhante em regiões da Ásia-Pacífico, anunciando bilhões em investimentos em data centers acompanhados de projeções de impacto em PIB, geração de empregos e capacitação profissional.

No lançamento da nova região de nuvem da AWS na Nova Zelândia, por exemplo, foram divulgados números ambiciosos: NZ$ 7,5 bilhões em investimentos, NZ$ 10,8 bilhões em impacto no PIB, 50 mil pessoas treinadas e mil empregos criados. Segundo analistas, tais números funcionam mais como instrumentos de disputa de mercado do que como evidência de benefícios mensuráveis.

Casos semelhantes se repetem em outros mercados: US$ 2 bilhões da Microsoft na Malásia, US$ 1 bilhão do Google no Japão e US$ 14 bilhões da Oracle na Arábia Saudita. Em comum, projeções grandiosas, cronogramas vagos e pouca verificação após o anúncio.

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Estudos de impacto

De acordo com a Forrester, grande parte dessas projeções vem de estudos de impacto econômico (EIS), baseados em modelos de insumo-produto criados nos anos 1930. Eles aplicam multiplicadores a gastos diretos (como salários ou construção) para estimar benefícios indiretos. O problema é que esses modelos assumem condições irreais, como ausência de restrições de oferta, preços estáveis e conversão total dos investimentos em valor local.

Pesquisas de universidades como Cornell mostram que esses estudos podem superestimar os ganhos em até 60%, especialmente quando contabilizam atividades que ocorreriam de qualquer forma. Além disso, quase nunca há acompanhamento posterior para verificar se os empregos, a capacitação e o impacto no PIB realmente aconteceram.

Uma alternativa mais avançada, segundo a consultoria, são os modelos de equilíbrio geral computável (CGE), que simulam como mudanças se propagam na economia, considerando preços, limites de capacidade e comportamento. Embora mais robustos, esses modelos são caros, lentos e pouco acessíveis a líderes de negócios. Comparações internacionais mostram que diferentes modelos podem gerar resultados até sete vezes discrepantes para o mesmo cenário.

Medir o que é real

A Forrester propõe outra abordagem com sua metodologia Total Economic Impact (TEI). Em vez de se basear em projeções macroeconômicas, a TEI utiliza:

  • Dados reais de clientes, como entrevistas e casos de uso;
  • Ajuste de riscos, descontando benefícios segundo probabilidade e desafios de implementação;
  • Métricas de decisão corporativa, como ROI, valor presente líquido e tempo de retorno;
  • Contexto específico, evitando estimativas nacionais e focando no impacto direto sobre cargas de trabalho e estruturas de custo da empresa.

O objetivo é calcular benefícios concretos e monitorar os resultados ao longo do tempo, em vez de depender de projeções generalistas.

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