
A Palo Alto Networks prevê uma nova fase da chamada “guerra dos navegadores”, agora alimentada pela inteligência artificial (IA). Durante a divulgação dos resultados fiscais do quarto trimestre de 2025, o CEO da empresa, Nikesh Arora, afirmou que grandes players como Microsoft, Google, OpenAI e Perplexity estão incorporando agentes de IA em navegadores para executar tarefas como reservas de restaurantes e acomodações.
Segundo ele, embora a novidade seja atraente para consumidores, representa risco para empresas. “Nenhuma organização vai querer um navegador que permita rodar agentes sem controle”, disse, defendendo que os negócios precisarão adotar versões seguras.
A posição da Palo Alto é estratégica. A empresa já oferece o Prisma Access Browser, integrado à sua arquitetura de Secure Access Service Edge (SASE), que reúne soluções de rede e segurança. Para Arora, navegadores corporativos blindados se tornarão obrigatórios no curto prazo.
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O executivo reforçou que o modelo de “platformization”, no qual a companhia comercializa pacotes integrados de produtos, está ganhando força. A lógica é que clientes que consolidam soluções em um único fornecedor obtêm maior eficiência contra ataques cada vez mais rápidos.
Ataques em minutos
Arora destacou que, com a evolução da IA, o tempo médio para uma invasão caiu para cerca de 25 minutos. Nesse cenário, a prioridade não é mais apenas o quanto se investe em segurança, mas a velocidade de detecção e resposta.
“Se a resposta demora mais de 25 minutos, os agentes maliciosos já terão exfiltrado dados e comprometido a rede”, alertou. Para o CEO, defensores precisarão operar agentes de proteção próprios, mas isso exige plataformas unificadas: “Não há agente capaz de entender múltiplos fornecedores de firewall, SASE e navegadores ao mesmo tempo”.
A tendência, segundo Arora, é que a IA atue como um acelerador da consolidação, favorecendo empresas que oferecem plataformas completas em vez de soluções pontuais. Isso também significa a substituição de concorrentes que atendem apenas nichos específicos de segurança cibernética.
Os números confirmam a estratégia: a Palo Alto reportou US$ 2,5 bilhões de receita no trimestre, aumento de 16% em relação ao ano anterior, e US$ 9,2 bilhões no acumulado anual, com crescimento de 15%. A meta é ultrapassar US$ 10 bilhões em 2026, o que tornaria a companhia a primeira especializada exclusivamente em segurança cibernética a alcançar esse patamar.
Arora projeta que os próximos vetores de expansão estarão em produtos de segurança baseados em IA, SASE e firewalls virtuais, estes últimos em ascensão por permitirem implantação mais rápida e flexibilidade superior à de equipamentos físicos.
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