
A Intel alertou nesta segunda-feira (25) que a decisão do governo dos Estados Unidos de converter US$ 11 bilhões em subsídios em uma participação acionária de 9,9% na empresa pode trazer consequências significativas para seus negócios internacionais. Em documento entregue à SEC, a companhia destacou que o movimento pode prejudicar vendas no exterior, limitar o acesso a futuros incentivos e aumentar pressões regulatórias em outros mercados.
De acordo com a Reuters, segundo a fabricante de semicondutores, a emissão de ações para o governo norte-americano dilui a fatia dos atuais acionistas. O acordo prevê que os papéis sejam vendidos a um preço US$ 4 abaixo do valor de fechamento de sexta-feira (US$ 24,80). Apesar disso, as ações da Intel subiram 2% no início do pregão desta segunda, cotadas a US$ 25,25.
No mesmo documento, a empresa observou que a presença do governo como acionista relevante pode sujeitá-la a novas regras internacionais, como legislações sobre subsídios estrangeiros, o que poderia impactar operações em mercados estratégicos. Em 2024, 76% da receita da Intel veio de fora dos EUA, sendo 29% provenientes da China.
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Contexto político e CHIPS Act
O aporte faz parte de uma série de intervenções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em companhias norte-americanas. No caso da Intel, o governo converteu valores ainda não pagos da lei CHIPS and Science de 2022 (US$ 5,7 bilhões) e do programa Secure Enclave (US$ 3,2 bilhões), implementado sob a gestão de Joe Biden.
Trump sinalizou nesta segunda-feira que pretende replicar o modelo usado com a Intel em outras empresas. Em publicação na Truth Social, o presidente republicano afirmou que quer continuar firmando acordos similares “o dia inteiro” e prometeu apoiar companhias que celebrarem negócios “tão lucrativos” com os Estados Unidos, sem detalhar como essa ajuda será fornecida.
O presidente norte-americano voltou a enfatizar que o país não desembolsou valores pela operação com a Intel, destacando que o acordo vale aproximadamente US$ 11 bilhões. “Tudo vai para os EUA. Por que pessoas ‘estúpidas’ ficam insatisfeitas com isso?”, questionou Trump em sua rede social.
De acordo com o documento da Intel à SEC, a empresa considera “quitadas” suas obrigações perante o CHIPS Act, com exceção do programa Secure Enclave.
Em vídeo publicado pelo Departamento de Comércio dos EUA, o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, declarou que a companhia “não precisava do subsídio”, mas que via com bons olhos a presença do governo como acionista. A fala contrasta com a cautela expressa no relatório da empresa, que destaca incertezas sobre como outros governos reagirão ao modelo de conversão de subsídios em participação acionária.
