
Os data centers instalados no Brasil representaram, em 2024, 1,7% do consumo total de energia elétrica no País — ou 8,2 TWh dos 650,4 TWh consumidos durante o ano passado. A projeção é que, até 2029, esse número chegue a 27,3 TWh, ou 3,6% do consumo nacional projetado.
Em relação à água, o uso do setor em 2022 foi de 0,003% do total utilizado no País, ou 2 bilhões de litros, volume comparável ao consumo anual de aproximadamente 35 mil pessoas.
Os dados fazem parte de um levantamento divulgado no fim de agosto pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (a Brasscom), chamado Consumo de Energia e Água em Data Centers no Brasil. O estudo foi revisado pela Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe).
Segundo a entidade, os números indicam que a expansão do número de data centers instalados no Brasil não tem impacto tão elevado quanto pressupõe o debate público a respeito do tema. Os grandes data centers são acusados de consumo elevado de energia e água, especialmente aqueles rodando algoritmos de inteligência artificial.
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“É importante reforçar que os data centers não representam uma ameaça aos recursos naturais do Brasil — eles não vão esgotar nossa água nem nossa energia elétrica”, diz em comunicado Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom, entidade que não por acaso representa as maiores companhias de tecnologia em atividade no País – muitas delas donas de data centers – e grande defensora das “oportunidades” da instalação desses equipamentos no Brasil.
O lançamento do estudo ocorre poucos dias após o lançamento, pelo Ministério das Comunicações do governo Federal, de uma consulta pública sobre uma vindoura Política Nacional de Data Centers. Apesar das supostas oportunidades de investimento e digitalização do País, a proposta é acompanhada de temores com relação ao consumo de recursos naturais, além de experiências internacionais negativas, como o agravamento de uma crise hídrica no Chile, por exemplo.
“A evolução tecnológica tem levado a uma eficiência cada vez maior no uso desses recursos e o setor está cada vez mais comprometido com práticas eficientes e responsáveis”, argumenta o executivo.
O estudo também faz comparações com o consumo de outras atividades econômicas durante 2024. O setor industrial, por exemplo, responde por 36% da energia, ou 21 vezes mais que os data centers, enquanto o residencial consome 28% (16 vezes mais). Considerando a água, o setor industrial consumiu 9% e a metalurgia 0,5%.
Segundo a entidade, apesar da expansão do setor, o impacto sobre os recursos naturais é “proporcionalmente baixo”.
O comunicado não cita, no entanto, que o número de data centers no Brasil ainda é relativamente baixo (menos de 200, segundo dados recentes), e que o número de empresas catalogadas no País como do setor industrial superava 370 mil em 2023, segundo o IBGE. Além disso, o número de unidades residenciais consumidoras de energia no País supera os 92 milhões, segundo a Aneel.
É preciso considerar ainda que o consumo de energia dos data centers que rodam algoritmos de inteligência artificial está crescendo exponencialmente no mundo todo. O estudo está disponível no site da Brasscom e pode ser acessado nesse link.
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