
A Blip, empresa brasileira especializada em inteligência conversacional, atravessa um momento de entusiasmo. No campo da tecnologia, a companhia, com mais de 20 anos de atuação em soluções de comunicação, enxerga na inteligência artificial (IA) generativa um enorme potencial para impulsionar seus negócios. No aspecto corporativo, vive uma fase decisiva de internacionalização, que deve ampliar significativamente sua presença global nos próximos anos.
Nesta quinta-feira (04), a empresa promoveu, em São Paulo, o Blip ID, seu principal evento anual para clientes e parceiros. Durante o encontro, Roberto Oliveira, CEO da companhia, falou ao IT Forum sobre a estratégia em curso – incluindo a recente expansão internacional. A meta é que, em até três anos, metade das receitas venha de fora do Brasil. Hoje, menos de 10% têm origem no exterior. “Muito rapidamente devemos chegar a 50%”, projeta o executivo.
A estratégia da Blip para alcançar essa meta segue um critério claro: priorizar mercados onde o WhatsApp é a principal ferramenta de comunicação. “Nosso processo de expansão é focar nos países que chamamos de WhatsApp-centric”, explica Oliveira. “Para nós, a mensageria é o front-end, é onde o cliente está e as marcas precisam estar.”
A primeira etapa dessa expansão foi a América Latina. Em 2023, a Blip adquiriu a GUS, empresa mexicana do setor conversacional, o que ajudou a consolidar a operação no país. “A partir do México, estamos cobrindo toda a América Latina de língua espanhola”, pontua. Hoje, a Blip também atua em mercados como Chile, Colômbia e Peru.
A companhia aposta no aprendizado acumulado no Brasil, onde o uso do WhatsApp como canal de comunicação entre marcas e consumidores já está consolidado, como diferencial para se destacar em um cenário latino-americano que ainda amadurece.
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Com essa experiência, a empresa avançou para a Europa, via Espanha, onde vê espaço para consolidar um mercado ainda incipiente. “Estamos crescendo mais de 100% ao ano lá. Estamos praticamente sozinhos, porque a maioria das empresas aposta em mensagens promocionais, mas nosso foco sempre foi criar experiências receptivas e interativas”, destacou Oliveira.
Agora, a Blip se prepara para entrar no Oriente Médio, onde pretende abrir um escritório “em breve”. O executivo ressalta o potencial da região, impulsionado por investimentos públicos e privados. “É um mercado bastante interessante, com forte engajamento no WhatsApp e uma economia em expansão. Estamos muito animados”, diz.
Nos Estados Unidos, a estratégia é diferente. O WhatsApp ainda tem uso limitado no mercado norte-americano e, segundo o CEO, a Blip observa o crescimento de outras interfaces de interação, como assistentes virtuais baseados em inteligência artificial generativa.
“Acreditamos que lá existe a possibilidade de essas conversas acontecerem nos assistentes, como o ChatGPT. Mas isso ainda não decolou. Estamos atentos e torcendo para o WhatsApp crescer também”, avalia.
IA generativa e WhatsApp
Oliveira não esconde o entusiasmo com o potencial da IA generativa no WhatsApp. Para ele, o aplicativo de mensagens já concentra boa parte da comunicação cotidiana entre consumidores e marcas, e a integração da tecnologia possibilita experiências conversacionais mais naturais e eficazes. “A mistura do WhatsApp com a IA é um movimento imparável”, afirma.
A trajetória da Blip, vale lembrar, está intimamente ligada ao WhatsApp. Desde 2014, a empresa discute o conceito de “contato inteligente” entre companhias e clientes por meio do comunicador instantâneo, que hoje se consolidou como principal canal de interação entre marcas e consumidores no Brasil. Hoje, toda sua operação depende do aplicativo. Só neste ano, mais de 15 bilhões de mensagens já foram trocadas pela plataforma da Blip com mais de 1 bilhão de usuários únicos. A empresa já soma 3,1 mil clientes globalmente.
Questionado sobre essa dependência, no entanto, o CEO minimiza a preocupação. “Vivemos dentro do WhatsApp, mas é uma relação de cocriação. Hoje participamos de cerca de 20 programas de teste com eles e ajudamos a desenhar o roadmap. É um casamento que tem dado muito certo”, conta.
Para Oliveira, a parceria entre as duas empresas é estratégica e traz ganhos para ambos os lados. De um lado, a Blip cresce apoiada na popularidade do aplicativo; de outro, o WhatsApp encontra na companhia brasileira um aliado para validar e expandir sua frente de negócios voltada às empresas.
“A grande aposta da Meta é o WhatsApp Business. Para que ele tenha sucesso, os clientes precisam ter sucesso. Somos reconhecidos como uma empresa que ajuda as marcas a realmente entregarem valor”, conclui.
Blip expande oferta de agentes de IA
Nesta quinta-feira, a Blip também anunciou a disponibilidade geral do Studio, ferramenta que centraliza a criação e a orquestração de experiências conversacionais com agentes de IA.
A plataforma permite combinar múltiplos agentes especializados com atendimento humano para criar um fluxo de contato conversacional com clientes, em uma interface low-code. O sistema inclui integração com plataformas externas, protocolos de agentes e ferramentas para acelerar projetos.
“O Studio é uma solução para alavancar a transformação de IA das empresas”, disse Oliveira em entrevista ao IT Forum. “Ele reúne praticamente tudo o que a Blip aprendeu até hoje, empacotado em uma única solução.”
O produto já vinha sendo utilizado em projetos-piloto de clientes da Blip há alguns meses. Na Peugeot, a estrutura multiagentes elevou de cinco para quinze os atributos capturados em uma conversa de qualificação e ampliou em 12% o volume de leads altamente qualificados. Já na Localiza, o Studio enriqueceu sinais para campanhas na plataforma da Meta, resultando em 6% mais vendas e retorno cinco vezes maior sobre o investimento, com até vinte vezes mais sinais enviados para otimização.
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