
Andrea Rivetti fez Direito e passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, mas não exerceu a profissão depois de formada. Em vez disso, apostou em empreender e enxergou na tecnologia como solucionadora de problemas para as empresas uma oportunidade de negócio. “Minha família é de empreendedores. Eu queria empreender e tinha a coragem do inocente: era muito nova, recém-formada, nunca tinha trabalhado antes, apenas em estágio, mas eu tinha a certeza de uma única coisa, que eu queria trabalhar com alguma coisa que resolvesse e agregasse valor para as companhias”, conta a fundadora e CEO da Arklok.
A ideia de empreender no segmento veio depois de rodar empresas e perceber que a tecnologia era vista como uma dor e um custo — “e não como um time que pode revolucionar o negócio, então, quis montar negócio que resolvesse o problema”, diz. Pesquisando o mercado, entendeu que a terceirização de equipamentos ainda era inexplorada.
Com as economias que tinha em mãos, montou sua empresa. “Trabalhava de manhã e estudava o mercado e a tecnologia à noite. Foram anos superdesafiadores”, conta. A Arklok começou fornecendo aluguel de equipamentos de informática. “Comecei com R$ 30 mil. Meu primeiro contrato com nove máquinas foi o mais comemorado. Hoje, fechamos contratos com 20 mil, 30 mil máquinas e acho que não comemoro tanto quanto aquele primeiro”, compara.
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Para além da barreira que Rivetti enfrentou de vencer a cultura das empresas que achavam necessário deter os próprios equipamentos, em vez de consumi-los como serviço, ela conta que encontrou um grande desafio no fato de ser mulher e muito jovem, ainda na casa dos 20 anos. “Era uma empresa pequena e eu mulher e nova. Cheguei a levar meu pai e amigo a reuniões; precisava de cabelo branco e homem para conseguir ter credibilidade. Hoje, vejo que era insegurança da juventude. Com o tempo, você vai ganhando respeito e credibilidade”, pondera.
A credibilidade veio com a visibilidade do trabalho que estava entregando. Ampliou o escopo de ser aluguel simples para uma oferta de terceirização com oferta de gestão de ativos, fazendo desde o primeiro chamado até a resolução de problemas. “Nossos contratos são de longo prazo; temos sempre de mostrar a redução de custos e as vantagens financeiras e fiscais que existem em delegar, deixando os CIOs focados no core business e sendo mais estratégicos”, ressalta.
Para alçar voos altos, Rivetti decretou que a Arklok seria agnóstica, firmando parcerias com todos os fabricantes. Com isso, conquistou em 17 anos de existência uma carteira de cerca de 3 mil clientes, sendo a maioria empresas de médio e grande portes. “Temos clientes de 15 anos atrás que estão na nossa base; nosso turn-over é baixíssimo.”
Fundada em 2008, a Arklok explorou um nicho de mercado e hoje se apresenta como empresa de full outsourcing. Já está presente em 1.200 cidades e, segundo Rivetti, vem crescendo uma média de 54% ao ano — o faturamento de 2024 bateu na casa dos R$ 300 milhões. “Com o tempo começamos a nos alavancar e em 2024 fiz uma transação na qual vendi parte da companhia para o fundo Vinci Partners para melhorar a estrutura de capital humano e capital de giro”, diz a executiva que segue no controle.
Impacto no mercado
O exemplo do empreendedorismo veio de casa. “Achei que fosse ser mais fácil e me lembro de pensar que com um empresário da família vou tirar todas minhas dúvidas dentro de casa. Mas meu pai, com quem eu mais trocava ideias, não tinha a menor noção do que eu estava fazendo. E ele me dizia que eu ia aprender errando”, lembra, acrescentando que seu pai foi o grande incentivador.
Outro grande sonho de Andrea Rivetti era impactar o setor de forma educacional. Montou uma escola de treinamento em tecnologia em parceria com grandes players do mercado que, hoje, atende à sua base de funcionários. “É difícil achar colaboradores que sejam do ramo e a maioria das funcionárias mulheres não tinham formação em tecnologia, então, a gente ajudou na formação”, relata.
Atualmente, a CEO aponta que um terço do quadro de funcionários é composto por mulheres e 22% da liderança é feminina. “Temos muitas técnicas em campo, ainda que seja um ramo muito masculino.” Para Rivetti, o mercado de tecnologia também vem mudando na questão de gênero. Ela conta que, antes, se via como a única mulher sentada à mesa de discussão, algo que está em transformação. “Com certeza, o mercado mudou, mas está longe de ser ideal.”
Fazendo um balanço da trajetória, Rivetti reconhece o quão desafiador foi ser jovem e mulher à frente de uma empresa de tecnologia. E diz que ainda hoje, aos 40 anos, é desafiador. Com o conhecimento que os 17 anos de empresa deu a ela, a executiva aconselha a quem tiver interesse a ingressar no mercado de tecnologia por proporcionar uma carreira muito promissora. “Você tem oportunidade atrás de oportunidade, porque a tecnologia está sempre mudando e se atualizando; e você sempre está diante de novos desafios.”
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
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