
A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (11) que chegou a um memorando de entendimento com a Microsoft, sua principal investidora, para permitir a transição de sua divisão com fins lucrativos para o modelo de public benefit corporation (PBC). A mudança, ainda sujeita à aprovação de autoridades estaduais nos EUA, abriria caminho para novas rodadas de captação de recursos e, futuramente, uma possível abertura de capital.
De acordo com Bret Taylor, presidente do conselho da OpenAI, a unidade sem fins lucrativos continuará existindo e manterá o controle das operações, além de deter uma participação avaliada em mais de US$ 100 bilhões na futura PBC. Os termos completos do acordo não foram revelados.
Em comunicado conjunto, as companhias afirmaram que o entendimento não é vinculativo, mas estabelece a intenção de definir os próximos passos da parceria. “Estamos trabalhando ativamente para finalizar os termos contratuais em um acordo definitivo”, disseram.
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Desde o primeiro aporte da Microsoft em 2019, o acordo previa que a gigante de Redmond, nos Estados Unidos, tivesse acesso preferencial à tecnologia da OpenAI e se tornasse sua principal fornecedora de nuvem. Porém, com a rápida expansão do ChatGPT e do portfólio da startup, a OpenAI buscou diversificar parcerias e reduzir a dependência.
Nos últimos meses, fechou um contrato de US$ 300 bilhões com a Oracle para serviços de nuvem a partir de 2027, além de anunciar a colaboração com o conglomerado japonês SoftBank no projeto de data centers Stargate.
Tensões nas negociações
As tratativas entre OpenAI e Microsoft enfrentaram momentos de atrito. Reportagens do Wall Street Journal apontam que a Microsoft buscou controle sobre tecnologias da Windsurf, startup de IA que a OpenAI tentou adquirir em 2025. O negócio não avançou: parte da equipe foi para o Google e outra para a Cognition.
Apesar das divergências, o novo entendimento sinaliza um realinhamento entre as duas companhias, com a manutenção do conselho sem fins lucrativos no comando estratégico da OpenAI.
A transição acontece em meio a disputas judiciais. O processo movido por Elon Musk contra a OpenAI, que acusa a empresa de trair sua missão original — coloca o modelo híbrido de governança no centro do debate. Musk chegou a oferecer US$ 97 bilhões pela startup, proposta recusada pelo conselho.
O novo arranjo garante ao braço sem fins lucrativos da OpenAI uma fatia maior do que a proposta por Musk. Ainda assim, organizações como Encode e The Midas Project questionam se a mudança ameaça a missão de desenvolver inteligência artificial geral (AGI) para o benefício da humanidade. A OpenAI, por sua vez, alega que esses grupos são financiados por concorrentes como Musk e Mark Zuckerberg, algo que eles negam.
Segundo Taylor, a OpenAI e a Microsoft seguirão em diálogo com procuradores-gerais da Califórnia e de Delaware, estados responsáveis pela análise regulatória do processo. A aprovação será determinante para que a OpenAI avance no caminho de se tornar uma PBC, modelo que combina fins lucrativos com compromissos públicos de impacto social.
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