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Imagem dividida em duas partes. À esquerda, aparece o logotipo da empresa Nvidia, com seu símbolo gráfico em verde e branco e o nome “NVIDIA” em letras pretas. À direita, desfocada, está a bandeira da China, em fundo vermelho com uma grande estrela amarela e quatro estrelas menores. A composição sugere uma relação entre a empresa de tecnologia e o mercado ou governo chinês.

A Nvidia voltou ao centro das tensões entre Washington e Pequim. Nesta segunda-feira (15), a Administração Estatal de Regulação de Mercado da China (SAMR, na sigla em inglês) afirmou que a fabricante de chips violou a lei antimonopólio do país em relação à compra da israelense Mellanox, concluída em 2020. O anúncio faz parte de uma investigação preliminar, mas já provocou queda de cerca de 2% nas ações da empresa no pré-mercado.

A Mellanox, segundo a CNBC, é especializada em soluções de rede para data centers e servidores, e foi adquirida pela Nvidia em um negócio de US$ 6,9 bilhões. À época, o governo chinês aprovou a transação impondo determinadas condições. Agora, a SAMR afirma que a companhia não teria cumprido integralmente tais exigências, sem detalhar quais pontos foram violados. A investigação continuará em andamento.

A divulgação ocorre em meio a negociações delicadas entre representantes da China e dos Estados Unidos em Madri, iniciadas no domingo (14). O episódio pode complicar as conversas, já que a tecnologia é um dos principais focos de atrito entre os dois países.

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No fim de semana, Pequim abriu outros dois processos contra o setor de semicondutores: um por suposto dumping de chips importados dos EUA e outro para avaliar restrições norte-americanas que, segundo autoridades chinesas, discriminam a indústria local.

Mercado estratégico para IA

A China é um dos maiores mercados da Nvidia, especialmente em aplicações de data centers, inteligência artificial e jogos. A disputa, porém, tem se intensificado com os embargos dos Estados Unidos ao fornecimento de chips avançados para o país asiático.

Neste ano, o envio do chip H20, desenvolvido para cumprir as regras de exportação impostas por Washington, foi barrado por Pequim. A medida aumentou a pressão sobre a companhia, que já vinha sofrendo com o impasse regulatório.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, tem defendido publicamente que as empresas americanas mantenham presença no mercado chinês. Ele estima que o setor de IA local deve atingir US$ 50 bilhões em até três anos e alerta que, caso os EUA se afastem, competidores domésticos como a Huawei ocuparão o espaço.

Acordos e negociações recentes

A pressão do executivo junto ao governo norte-americano surtiu efeito em agosto, quando a Nvidia fechou um acordo com Washington. A empresa obteve permissão para retomar a venda de chips à China, mas terá de repassar 15% da receita obtida nessas operações ao Tesouro dos EUA.

Huang também estaria em negociações para exportar ao mercado chinês um chip mais avançado, em meio à busca por um equilíbrio entre segurança nacional, competitividade global e acesso a tecnologias de ponta.

A disputa em torno da Nvidia não é um caso isolado. Autoridades de diferentes países vêm ampliando o escrutínio sobre grandes companhias de tecnologia. O foco inclui desde fusões e aquisições até práticas comerciais vistas como anticompetitivas.

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