
Com 30 anos de trajetória em TI, Cláudia Meira entende a liderança feminina como um valor que precisa ser intencionalmente cultivado nas empresas. O privilégio de ter trabalhado em organizações que apoiavam a conciliação entre vida pessoal e profissional foi decisivo em sua caminhada, mas ela reconhece que essa não é a realidade de todas.
“Ser mulher na área de tecnologia não é fácil. Nos meus primeiros anos de carreira, eu era quase sempre uma das poucas mulheres nas equipes. Determinação e dedicação foram fundamentais para que eu pudesse me destacar.” Além das competências técnicas, ela buscou desenvolver desde cedo o foco no cliente e a comunicação para entregar as soluções certas para os negócios.
A imersão de Cláudia na tecnologia começou cedo e de forma inusitada. Quando era jogadora de vôlei, ganhou uma bolsa de estudos para um curso técnico em processamento de dados. A necessidade de manter boas notas para não perder o benefício trouxe motivação para se dedicar, e foi ali que despertou sua paixão pela área.
Ainda no colegial, desenvolveu seu primeiro sistema e fez um estágio crucial em uma empresa que criou o primeiro internet banking do País, onde permaneceu por sete anos. Desde então, construiu uma carreira sólida, liderando projetos em instituições financeiras como Unibanco, Citibank e Banco de Crédito do Peru. Posteriormente, passou 16 anos na Avon, onde foi CIO Brasil e teve contato com diversas culturas em projetos globais, conduzindo a transformação digital.
O convite para a Unilever, em 2021, foi “irrecusável”. A oportunidade de comandar um time regional de 300 pessoas e aplicar a tecnologia para impactar a cadeia de valor da empresa – presente em todos os lares brasileiros – era única. Em sua gestão, ela busca o equilíbrio entre o foco no dia a dia e a inovação constante.
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Para integrar uma equipe antes descentralizada, Cláudia estruturou times específicos para as operações e outros para projetos e experimentações. “A colaboração horizontal, a criação de um ambiente psicologicamente seguro para o compartilhamento de ideias e o foco em pessoas nos permitem cocriar o futuro da empresa.”
A executiva se orgulha do reconhecimento global do hub da América Latina na Unilever. Um resultado do trabalho coletivo, da entrega de alta qualidade, da resiliência e do foco no cliente, que geram confiança e credibilidade. “Somos frequentemente convidados a participar da criação de produtos globais”, celebra, destacando que o time conta com outras mulheres em posições de liderança. “Quando a gente tem esse propósito de trabalhar em equipe e gosta do que faz, vamos longe.”
Com formações em TI, Engenharia de Software e Gestão de Negócios, Cláudia vivenciou diversos ciclos de transformação tecnológica. Agora, lidera mais um: o da inteligência artificial (IA).
Entre os projetos executados pelo time estão a implementação de IA em marketing, que acelera a criação de conteúdo; em vendas, com um aplicativo para promotores; e no planejamento de demanda. Atenta ao avanço da nova tecnologia, enfatiza a importância da governança e da segurança, garantindo que os projetos de IA passem por um fórum interno para compartilhar ideias e proteger dados sensíveis.
Para as mulheres que desejam seguir na área, a CIO aconselha: “É preciso muita determinação, buscar conhecimento e ter escuta ativa. Mas a comunicação também é importante. A pessoa pode ter todo o conhecimento, mas se não souber influenciar, gerar parcerias e ter jogo de cintura em um ambiente complexo como o corporativo, de nada adianta.”
Mãe de uma adolescente de 16 anos, Cláudia revela que contou com uma rede de apoio para conciliar maternidade e carreira, com destaque para o suporte do marido, que também atua em tecnologia. Ela ainda teve o “benefício” de contar, por dois anos, com o berçário oferecido por uma empresa onde trabalhou.
Além de CIO, é coautora de três livros sobre mulheres na tecnologia, demonstrando seu propósito de inspirar outras a ingressarem na área. Para ela, a tecnologia vai muito além da codificação: inclui IA, engenharia de dados, infraestrutura, gestão de projetos e outros temas.
“A tecnologia é para todos. É uma área que impacta o negócio e a sociedade. Acredito que o Brasil é uma potência e pode exportar serviços de tecnologia para o mundo”, diz, defendendo a inclusão de lógica de programação desde o ensino fundamental para transformar o País.
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
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