
A OpenAI está expandindo significativamente o escopo do Stargate, megaprojeto de infraestrutura anunciado no início do ano para sustentar a revolução da inteligência artificial. Inicialmente planejado como uma joint venture de US$ 500 bilhões para construção de data centers, o programa agora abrange praticamente todas as iniciativas da empresa ligadas a chips e capacidade computacional, informou a Reuters.
Em janeiro, a proposta previa 10 gigawatts de capacidade de processamento. Segundo executivos, já foram assegurados quase 7 GW, distribuídos em novos data centers nos Estados Unidos em parceria com Oracle e SoftBank. O principal canteiro de obras fica em Abilene, Texas, em um campus de 445 hectares erguido em conjunto com a startup Crusoe e considerado o “projeto vitrine” do Stargate.
O CEO, Sam Altman, defende que a expansão de infraestrutura é essencial para não travar o avanço da IA. Em encontro com políticos e executivos, declarou que a meta é chegar a um ponto em que seja possível construir um gigawatt de capacidade por semana.
Leia também: US$ 4 trilhões no código: qual o verdadeiro valor da IA generativa na economia
Financiamento criativo
A iniciativa também ganhou novo fôlego financeiro com o anúncio de uma parceria de até US$ 100 bilhões com a Nvidia. O acordo prevê US$ 10 bilhões iniciais em caixa e um modelo de leasing de chips, que pode reduzir custos em até 15% em relação à compra direta, de acordo com pessoas próximas ao projeto.
A OpenAI pretende acessar o mercado de dívida para financiar futuras expansões, seguindo uma tendência já adotada por outros gigantes de tecnologia. A Meta, por exemplo, estruturou em setembro um financiamento de US$ 29 bilhões para seu data center em Louisiana, com apoio de gestoras como PIMCO e Blue Owl Capital.
A corrida pelos chips
A pressão por capacidade de processamento tem impacto direto nos produtos da companhia. A escassez levou, nesta semana, ao adiamento do lançamento internacional de uma ferramenta fora dos EUA. Para minimizar gargalos, o Stargate combina diferentes modelos: centros próprios, parcerias e contratação de nuvem de terceiros.
Executivos explicam que cerca de US$ 15 bilhões de cada novo data center são destinados a terrenos, prédios e equipamentos básicos, enquanto a maior dificuldade está no financiamento dos chips, ativos de alto custo e vida útil incerta em um setor que evolui rapidamente.
Embora seja o principal investidor da OpenAI, a Microsoft não participa diretamente dos projetos do Stargate. As duas empresas renegociaram os termos da parceria para permitir que a criadora do ChatGPT pudesse trabalhar com múltiplos parceiros de infraestrutura.
No setor, capacidade computacional é considerada “o sangue vital” da inteligência artificial. Altman reconhece riscos de uma possível bolha na corrida por data centers, mas insiste que o investimento é crucial. “Haverá altos e baixos de curto prazo. Mas, olhando de forma ampla, o gráfico segue em curva ascendente”, afirmou.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

