
A trajetória de Edenize Maron é marcada por descobertas e constantes mudanças. Nascida em Itupeva, no interior de São Paulo, cresceu em uma família de origem simples e dedicada ao trabalho. Filha de um pequeno empreiteiro, aprendeu desde cedo a acompanhar obras e compreender o valor de iniciar e concluir projetos.
Na adolescência, percebeu afinidade com disciplinas de exatas. Ao considerar as possibilidades para seu futuro profissional, imaginava ser professora de matemática ou engenheira. A decisão foi prática: movida pelas oportunidades de um segmento industrial em plena expansão no país, optou pela engenharia mecânica.
No final dos anos 1980, conquistou seu primeiro estágio na AkzoNobel, multinacional holandesa de tintas e revestimentos, que, naquela época, inaugurava uma nova fábrica na região de Itupeva. Edenize atuou no projeto de desenvolvimento da planta industrial e, posteriormente, na implementação e gestão de sistemas e controles.
Nesse início de carreira, já vivenciava a mesma experiência de muitas outras profissionais em áreas técnicas: no grupo de engenheiros da fábrica, era a única mulher. “No começo, você é uma peça estranha naquele cenário”, conta. “Mas, naquela época, eu não dava atenção ou fomentava essa conversa. Eu simplesmente trabalhava.”
A experiência, no entanto, ensinou-lhe que, para contornar os desafios de atuar em um ambiente predominantemente masculino, precisaria adotar algumas estratégias – e até um pouco de malícia. Em 1992, quando a então gigante do setor de eletrônicos Philips abriu um processo seletivo para cinco vagas em uma fábrica de componentes para televisores, em Mauá, Edenize sabia que enfrentaria resistência por ser mulher.
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Usou uma tática: no currículo, assinou apenas como “E. Maron” para evitar possíveis filtros iniciais enviesados. Conseguiu uma entrevista e conquistou a vaga. Depois de selecionada, uma das responsáveis pelo processo confessou que não tinha ideia de que Edenize era mulher ao escolher seu currículo para a primeira etapa.
Na Philips, permaneceu por mais cinco anos. A empresa financiou sua faculdade e, em pouco tempo, ela passou a integrar um programa global de talentos. Participou de projetos de modernização e robotização da produção, o que lhe deu a oportunidade de conhecer fábricas e equipes na Europa e na Ásia. “Eu conheci o mundo pela Philips”, recorda, ressaltando que a vivência ampliou sua visão sobre processos industriais e gestão.
Também lá viveu um período de intensa movimentação. Começou em funções técnicas na produção e, ano após ano, assumiu responsabilidades maiores, liderando equipes e participando de iniciativas estratégicas, sempre em busca de novos desafios. Essa rotatividade constante revelou um traço que se tornaria marcante em sua trajetória: o gosto por mudanças e por projetos com início, meio e fim. “Era difícil eu ficar dois anos na mesma posição”, comenta.
Quando sua primeira filha nasceu, Edenize começou a buscar um novo passo na carreira – naquela altura, já morava em São Paulo e o deslocamento diário para Mauá, com uma bebê em casa, era desgastante. Foi então que a gigante alemã de software SAP cruzou seu caminho.
No final dos anos 1990, a empresa vivia um boom de adoção de ERP em setores industriais no Brasil e buscava profissionais que conhecessem profundamente processos de negócios para atuar na implantação de seus sistemas. Edenize foi contratada para trabalhar com o módulo de produção do ERP. Era sua primeira experiência em uma companhia de tecnologia da informação, e a mudança abriu um novo universo de possibilidades. “Nunca tinha pensado em ir para TI”, conta.
O trabalho intenso com clientes revelou seu talento para a comunicação. Um diretor percebeu que ela já realizava, de forma natural, parte do trabalho de vendas e a convidou para uma nova mudança: migrar para a área comercial. “No começo, estranhei, mas aceitei. Fui para o pior território e bati mais que o dobro da meta. Foi quando percebi: eu adoro fazer isso”, brinca.
Foram mais de dez anos na SAP até alcançar a posição de Country Manager da companhia em Portugal. A cada novo passo, Edenize descobria novas habilidades e aprendia algo diferente. “Conhecimento é fundamental, você não pode ficar na superficialidade”, diz. Quando deixou a SAP, passou por mais duas empresas do setor de tecnologia, a Progress Software e a Software AG, até que, em junho de 2015, foi convidada a liderar a chegada da Rimini Street ao Brasil.
Acostumada a corporações globais estruturadas, hesitou. “Eu sempre trabalhei em empresas muito organizadas. Fazer o lançamento de uma operação aqui, eu não tinha esse track record”, relembra. Uma conversa com Seth Ravin, o entusiasmado CEO e fundador, e a proposta ambiciosa da companhia de bater de frente com gigantes como SAP e Oracle no suporte de software fizeram-na reconsiderar a oferta.
O resultado? Mais uma mudança e mais uma descoberta. “Eu descobri esse prazer de fazer algo do zero: estruturar a operação, conquistar clientes, montar o time. Foi quando percebi que tinha esse espírito empreendedor”, conta Edenize. Dez anos depois, a operação brasileira atende mais de 130 clientes e planeja alcançar mil funcionários.
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