
A chegada dos agentes de inteligência artificial (IA) não significa o fim do software, mas sim uma transformação profunda em como os processos de negócio são concebidos e executados. É o que acredita Stephan de Barse, presidente global da suíte de negócios da SAP.
Segundo ele, que conversou com o IT Forum durante o SAP Connect*, em Las Vegas, nos Estados Unidos, o ponto central é entender o papel dos agentes. “Um agente de IA sempre apoia um processo de negócios”, afirmou. No caso de compras, por exemplo, hoje grande parte das etapas de um processo de RFP, desde a emissão até a avaliação das propostas, é feita de forma manual. Com os agentes, contou, essas tarefas passam a ser automatizadas, acelerando a tomada de decisão e abrindo espaço para modelos de aquisição mais autônomos.
Na manufatura, o raciocínio é semelhante. Atrasos em materiais, ausência de funcionários ou falhas em linhas de produção exigem respostas rápidas que hoje dependem de pessoas. Agentes de IA podem atuar como orquestradores diante dessas disrupções, oferecendo alternativas imediatas no fluxo produtivo.
Barse argumenta que essa mudança desloca o foco da automação de etapas isoladas para a reimaginação dos processos como um todo. “Durante anos, discutiu-se como usar IA para automatizar passos específicos em uma jornada. Agora é possível perguntar: ‘o que seria necessário para alcançar uma compra autônoma ou uma folha de pagamento autônoma?’”, disse.
Apesar do avanço, ele afasta a visão de substituição completa. Para ele, software e agentes vão coexistir. “A camada de aplicativos e a camada de agentes de IA vão caminhar juntas. O agente não substitui o software, mas ajuda a repensar e redesenhar processos ponta a ponta.”
Consolidação que vem pela frente
Um desafio apontado por Barse é a proliferação de agentes de IA sem integração nativa aos processos de negócios. Com centenas de aplicações e milhares de agentes de IA potencialmente isolados, empresas podem enfrentar um cenário de complexidade insustentável. Nesse cenário, projeta, haverá uma consolidação do espaço de aplicações e maior peso para fornecedores capazes de oferecer integração nativa entre software e agentes.
Além disso, o executivo acredita que o futuro exigirá colaboração entre grandes players de software, mesmo concorrentes, para viabilizar a comunicação entre agentes de diferentes ecossistemas.
O presidente da suíte de negócios também destacou o impacto dos agentes e da IA no próprio ERP, tradicionalmente visto como um sistema transacional. Com o uso de IA embarcada, processos de reconciliação, provisões ou análise de dados ganham inteligência e automação. “O ERP volta a ser interessante porque está no centro do movimento que conecta aplicativos, dados e IA”, afirmou.
*A jornalista viajou a convite da SAP
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