
A OpenAI anunciou uma nova etapa em sua estratégia de infraestrutura ao firmar um acordo com a Broadcom para o desenvolvimento conjunto de chips personalizados de inteligência artificial (IA). O projeto prevê a implantação de 10 gigawatts (GW) de aceleradores customizados, potência equivalente a cinco vezes a capacidade atual da companhia, e faz parte do movimento para reduzir custos de computação e ampliar a escala de seus modelos generativos.
As duas empresas trabalham juntas há 18 meses, mas o anúncio oficial ocorreu nesta segunda-feira (13), marcando a formalização da parceria. A Broadcom, que tem se beneficiado da explosão da demanda por IA, viu suas ações subirem quase 10% após a divulgação da notícia.
Segundo a CNBC, os novos chips foram desenhados pela própria OpenAI e serão produzidos com base na arquitetura e no stack Ethernet da Broadcom, que integrará as camadas de rede, memória e computação em uma única solução otimizada. O objetivo é tornar o treinamento e a execução de modelos mais eficientes, permitindo desempenho superior com custos menores.
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O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou em um podcast conjunto com executivos da Broadcom que a iniciativa faz parte de uma visão de longo prazo:
“Esses sistemas estão ficando tão complexos que é preciso pensar em tudo como um conjunto. Com os chips próprios, conseguimos ganhos gigantes de eficiência, o que leva a modelos mais rápidos e baratos”, disse.
A estimativa do setor é que um data center de 1 GW custe cerca de US$ 50 bilhões, sendo US$ 35 bilhões apenas em chips, conforme os preços atuais da Nvidia. Com a nova linha personalizada, a OpenAI pretende aliviar a dependência dos GPUs tradicionais e melhorar a relação custo-benefício de sua infraestrutura.
Corrida por capacidade
A parceria com a Broadcom soma-se a uma série de compromissos recentes da OpenAI para expandir seu poder computacional. Nas últimas semanas, a companhia anunciou acordos com Nvidia, AMD e Oracle, totalizando cerca de 33 GW de capacidade contratada, um salto em relação aos 2 GW que hoje sustentam serviços como o ChatGPT, o gerador de vídeos Sora e os projetos de pesquisa internos.
Altman destacou que a demanda cresce mais rápido do que a oferta. “Mesmo se tivéssemos 30 gigawatts disponíveis hoje, eles seriam totalmente utilizados rapidamente. A necessidade por inteligência de alta qualidade é insaciável.”
Inteligência para projetar chips
O presidente da OpenAI, Greg Brockman, revelou que a própria IA da empresa foi usada no design dos novos chips. Usamos nossos modelos para otimizar o layout e conseguimos grandes reduções de área. É como se o modelo encontrasse suas próprias soluções”, explicou.
Para a Broadcom, o acordo consolida sua posição entre os principais fornecedores da revolução generativa. O CEO, Hock Tan, afirmou que a OpenAI está construindo “os modelos de fronteira mais avançados do mundo” e que ter chips próprios garante controle sobre o futuro tecnológico.
Escala sem precedentes
A Broadcom já fornece chips personalizados, conhecidos como XPUs, a empresas como Google, Meta e ByteDance (dona do TikTok). Seu valor de mercado ultrapassa US$ 1,5 trilhão, e suas ações acumularam alta superior a 50% em 2025.
A OpenAI, por sua vez, amplia sua atuação além do software para se tornar uma verdadeira hiperescaladora de IA, investindo pesado em infraestrutura. Altman sinalizou que os 10 GW são apenas o início:
“Mesmo que seja muito mais do que o mundo tem hoje, a demanda vai absorver essa capacidade rapidamente, impulsionando descobertas incríveis.”
Com o novo acordo, a OpenAI reforça sua meta de construir a base computacional necessária para a próxima geração de modelos, enquanto a Broadcom se consolida como pilar estratégico da nova economia da inteligência artificial.
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