
Apenas 13,5% das empresas brasileiras estão prontas para a reforma tributária. Isso é o que aponta um estudo recente da All Tax. Para Marcio Kanamaru, CEO da FutureMyBiz, o número é preocupante. Durante o IT Forum Na Mata CEO, que ocorreu nos dias 13 e 14 de outubro, o executivo falou sobre a realidade na qual as organizações se encontram quando se trata do tema e apresentou ainda as maiores inseguranças ao lidar com o assunto.
Entre os maiores receios citados estavam a transição operacional, a convivência com a dualidade de sistemas, o impacto do processo na precificação, as lacunas estruturais de governança tributária e compliance, além da gestão do capital de giro. “Conviver nessa dualidade de sistemas vai gerar custos adicionais extraordinários que não estavam provisionados, mas deveriam estar. No entanto, é possível usar tecnologia para mitigar esses riscos”, afirmou Kanamaru.
Para Carlos Eduardo Reolon, gerente de Projetos na IBM, o uso dessas ferramentas também precisa ser cuidadosamente planejado ao se considerar o custo da reforma tributária. Em sua apresentação, Reolon destacou a urgência de se preparar para as mudanças.
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O gerente detalhou todas as etapas que serão vividas nos próximos anos de transição, apontando as alterações entre 2026 e 2027 como as mais desafiadoras. Segundo ele, os investimentos realizados no próximo ano não garantirão créditos para as empresas, mas serão tributados no ano seguinte — um movimento que pode causar grandes impactos na economia.
“Nós vemos que, especialmente no último trimestre de 2026, muitas organizações podem decidir não fazer negócios justamente para não correr o risco de perder esse crédito. E, em 2027, ainda teremos o início do split payment, que, na teoria, é muito interessante, mas cuja implementação prática é bastante complexa”, alerta Reolon.
Nesse cenário, o executivo enxerga não apenas a tecnologia como um elemento central na implementação da reforma, mas os sistemas ERP como o principal foco dessa transformação. Por isso, ele defende que, dentro de suas estratégias, as empresas comecem por compreender quais sistemas legados precisarão ser atualizados e em que grau será necessário adquirir novas soluções. “Eu costumo dizer que os ERPs e as plataformas fiscais são as correntes sanguíneas do sistema.”
Já para Kanamaru, outra tecnologia essencial para lidar com a reforma são os gêmeos digitais. Embora muito utilizados para replicar modelos físicos em ambientes virtuais, esses recursos também podem ser aplicados a arquiteturas sistêmicas, simulando, monitorando e analisando comportamentos de diferentes estruturas. “Podemos chamar essa tecnologia de simulador da reforma, porque ela oferece um diagnóstico tributário inteligente, avalia os novos processos implantados, ajuda a compreender fluxos e a identificar gargalos”, defendeu.
A reforma tributária das pessoas
Dentro da SAP Brasil, de acordo com Franklin Bruno, gerente de *Solution Advisors* da companhia, o caminho para lidar com a reforma tributária envolveu não apenas a integração dos sistemas para enfrentar a fase de transição e a decisão de atualizá-los a cada nova etapa anunciada pelo governo, mas também transformar o tema em uma agenda corporativa – e não apenas de tecnologia. Essa foi, inclusive, a recomendação que o executivo fez a todos os presentes.
“É importante criar um comitê interno que envolva o pessoal de tecnologia, mas também as áreas de compras, vendas, custos, impostos, RH e logística – todos precisam estar engajados”, defendeu Bruno. Em sua fala, ele também ressaltou a importância de garantir a multidisciplinaridade, assegurando que todos os setores convidados possam contribuir com suas perspectivas sobre o assunto.
Bruno lembrou ainda que, mesmo com todos os sistemas integrados, é essencial pensar nas pessoas que utilizarão essas ferramentas e na importância de contar com profissionais qualificados na equipe de impostos para ajudar a navegar pelos próximos anos, já que a reforma tributária impactará o país até 2033.
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