
A infraestrutura aberta voltou ao centro das discussões sobre resiliência digital. Em Paris, durante o OpenInfra Summit Europe 2025, executivos da BT Group, OVHcloud e do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) mostraram como o código aberto está ajudando organizações a enfrentar desde mudanças corporativas até pressões geopolíticas e o avanço da inteligência artificial (IA).
De acordo com o OpenInfra Foundation, o encontro, realizado na École Polytechnique, marca a primeira edição após a OpenInfra Foundation integrar formalmente a Linux Foundation, reforçando a colaboração global em torno das tecnologias abertas mais usadas no mundo. Sob o tema “OpenInfra como catalisador da resiliência”, o evento abordou quatro eixos principais: transformação corporativa, demanda por IA, segurança e soberania digital.
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Migração pós-VMware acelera alternativas abertas
Um dos destaques foi a discussão sobre o impacto da compra da VMware pela Broadcom. Segundo pesquisa citada na conferência, 73% dos clientes da VMware esperam aumentos de preço superiores a 100%, o que tem impulsionado a busca por opções abertas.
Durante o keynote, empresas como Canonical, Red Hat, Rackspace, Worteks e ZConverter realizaram uma demonstração ao vivo de migração de VMware para OpenStack, exibindo caminhos reais de transição para modelos mais flexíveis e econômicos.
Infraestrutura aberta para IA e segurança confiável
O avanço da inteligência artificial também esteve no centro do debate. O relatório “Open Infrastructure for AI: OpenStack’s Role in the Next Generation Cloud”, lançado no evento, detalha como o OpenStack vem se consolidando como base para arquiteturas de alto desempenho, com densidade de GPUs e custos controlados. Parcerias com empresas como a NVIDIA estão fortalecendo o uso de confidential computing por meio de projetos como Kata Containers, garantindo mais segurança e isolamento em pipelines de IA.
Durante o evento, o Ant Group apresentou como tecnologias de containers confidenciais podem elevar a confiança e a resiliência desde a camada de infraestrutura.
Soberania digital como prioridade europeia
Com a Europa intensificando políticas de soberania digital, provedores regionais como Telekom Cloud, OVHcloud e VanillaCore defenderam o uso de soluções abertas para garantir portabilidade, transparência e conformidade regulatória. “O mundo precisa de infraestrutura soberana, interoperável e segura, capaz de colaborar com IA e ambientes de execução confiáveis”, afirmou Thierry Carrez, diretor-geral da OpenInfra Foundation.
Ele ressaltou que o código aberto permite que empresas e governos mantenham controle sobre dados e aplicações sem renunciar à cooperação global, elemento-chave diante das crescentes restrições geopolíticas.
Casos reais e novos dados sobre OpenStack
Entre os cases apresentados, BMW e Workday mostraram como o sistema de CI/CD Zuul, do ecossistema OpenInfra, tem evitado falhas de código e aumentado a velocidade de mudanças em larga escala. Já o ECMWF destacou o uso do OpenStack em operações meteorológicas críticas.
Os organizadores também anteciparam dados da nova edição da OpenStack User Survey, que aponta crescimento na adoção global, agora com 55 milhões de núcleos de computação em produção. O estudo mostra que 30% dos entrevistados já executam cargas de trabalho de IA e aprendizado de máquina sobre OpenStack, sendo 60% deles localizados na Europa.
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