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A imagem mostra uma pessoa vestindo um terno segurando um tablet, enquanto um holograma digital representando a computação quântica aparece acima do dispositivo. O holograma inclui um chip central com um símbolo atômico no meio, cercado por conexões digitais e ícones relacionados à inteligência artificial (AI), automação e tecnologia. O fundo é escuro, criando um contraste futurista com os elementos luminosos da interface digital (computação quantica, segurança, IA, china, Inter, india)

As ações das principais empresas norte-americanas de computação quântica dispararam após uma reportagem do Wall Street Journal revelar que o governo de Donald Trump estuda adquirir participações acionárias nesses negócios em troca de financiamento federal. A estratégia marcaria uma mudança significativa na política industrial dos Estados Unidos, aproximando o governo do papel de investidor direto em tecnologias estratégicas, segundo a Reuters.

De acordo com o jornal, empresas como IonQ, Rigetti, D-Wave Quantum e Quantum Computing Inc. estariam em tratativas para que o governo se tornasse sócio minoritário, fortalecendo o controle sobre cadeias de suprimentos críticas e reduzindo a dependência da China. As ações das companhias chegaram a subir entre 8% e 16% após a publicação. Um fundo que acompanha o setor, o Defiance Quantum ETF, também avançou 1,3%, acumulando alta de 32% no ano.

Embora o Departamento de Comércio tenha negado oficialmente a existência de negociações no momento, a iniciativa é vista por analistas como parte de um movimento mais amplo da administração Trump para consolidar a soberania tecnológica americana. O governo já teria considerado ou realizado operações semelhantes em empresas ligadas a semicondutores e minerais estratégicos, como Intel, MP Materials e Lithium Americas.

Chris Beauchamp, analista-chefe da IG, afirmou à Reuters que a aposta em participações acionárias reflete uma nova abordagem de Washington. “A computação quântica oferece a chance de revolucionar a economia dos EUA, e essa estratégia mostra o governo disposto a agir de forma não convencional”, observou.

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Interesse em computação quântica

A computação quântica utiliza princípios da mecânica quântica para processar cálculos extremamente complexos, capazes de resolver problemas que levariam milhares de anos em computadores tradicionais. No entanto, os sistemas atuais ainda enfrentam dificuldades com estabilidade e correção de erros, o que limita seu desempenho prático.

O interesse do governo acontece em um momento de aceleração das pesquisas e investimentos privados no setor. Em fevereiro, a Microsoft apresentou um chip que, segundo a empresa, comprova que a computação quântica comercial está “a anos, e não décadas” de se tornar realidade. Já a IBM anunciou planos para ter um computador quântico funcional até 2029.

Grandes instituições financeiras também se movem nesse mercado. O JPMorgan Chase revelou recentemente um plano de US$ 1,5 trilhão em investimentos em setores estratégicos, incluindo a computação quântica, em busca de ganhos de eficiência e vantagem competitiva futura.

A possível entrada direta do governo americano no capital dessas empresas poderia redefinir o equilíbrio global de poder tecnológico. Especialistas apontam que, além de garantir o abastecimento de chips e equipamentos sensíveis, a medida daria a Washington maior influência sobre o desenvolvimento de uma tecnologia considerada essencial para defesa cibernética, segurança nacional e pesquisa científica nas próximas décadas.

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