
A Microsoft anunciou nesta segunda-feira (3) um acordo de US$ 9,7 bilhões com a IREN, operadora global de data centers, para expandir sua capacidade de computação voltada à inteligência artificial (IA). O contrato, válido por cinco anos, inclui acesso aos chips mais avançados da Nvidia e foi estruturado para aliviar a escassez de infraestrutura que vem limitando o crescimento das big techs na era da IA.
O anúncio impulsionou as ações da IREN, que chegaram a subir 24,7% e fecharam o dia em alta de quase 10%, atingindo um valor de mercado de US$ 16,5 bilhões. A fabricante de servidores de IA Dell Technologies também registrou leve valorização, já que será responsável por fornecer à IREN os chips Nvidia GB300 e outros equipamentos que farão parte da estrutura usada pela Microsoft, estimada em US$ 5,8 bilhões.
O movimento está em linha com a crescente pressão sobre as gigantes de tecnologia para atender à demanda explosiva de poder computacional necessária a aplicações como o ChatGPT. Na última semana, os balanços trimestrais de grandes empresas do setor evidenciaram que a falta de capacidade de processamento tem sido um dos principais gargalos para capturar todo o potencial financeiro da IA generativa.
Ao se associar à IREN, a Microsoft evita a necessidade de construir novos data centers ou garantir suprimento adicional de energia elétrica, dois dos maiores obstáculos para expandir sua operação global de IA. Além disso, a estratégia reduz os gastos de capital em chips que rapidamente se desvalorizam conforme novas gerações de processadores chegam ao mercado.
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A IREN opera vários data centers na América do Norte, com capacidade total de 2.910 megawatts, e prepara a implantação dos processadores Nvidia em seu campus de Childress, Texas, que conta com 750 megawatts. O plano prevê a criação de novos data centers com resfriamento líquido, capazes de oferecer 200 megawatts de capacidade crítica de TI, em implantação gradual até 2026.
Competitividade
De acordo com a Reuters, o pagamento antecipado feito pela Microsoft ajudará a financiar parte do contrato com a Dell. No entanto, a IREN informou que o acordo poderá ser rescindido caso não cumpra os prazos de entrega estabelecidos.
O negócio também posiciona a Microsoft de forma mais competitiva diante do avanço das chamadas “neoclouds”, empresas como CoreWeave e Nebius Group, que oferecem serviços de nuvem baseados em chips Nvidia e vêm ganhando protagonismo na corrida da IA. Em outubro, a Microsoft já havia firmado um acordo de US$ 17,4 bilhões com a Nebius para reforçar sua capacidade de infraestrutura.
Separadamente, a startup de nuvem Lambda também anunciou um acordo multibilionário com a Microsoft para implantar infraestrutura de IA alimentada por chips Nvidia, ampliando a rede de parceiros que sustentará a próxima fase de crescimento da companhia.
Com os novos contratos, a Microsoft busca equilibrar o avanço de sua divisão de IA, que inclui o Copilot e o Azure OpenAI Service, com uma estratégia de diversificação de provedores e infraestrutura. O objetivo é evitar gargalos de computação e garantir a expansão contínua de suas plataformas de IA generativa, em um momento em que o poder computacional se torna o ativo mais disputado do setor tecnológico.
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