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A imagem mostra uma mão estendida de um profissional com um traje formal, segurando um símbolo de cruz que representa a saúde. Ao fundo, há elementos visuais digitais que incluem ícones relacionados à tecnologia e saúde, sugerindo um ambiente de inovação e digitalização na área da saúde. O efeito visual é moderno, com um tom azul predominante que transmite uma sensação de profissionalismo e avanço tecnológico (nuvem, digital)

Por Alex Vieira

Nos últimos meses mergulhei em um exercício de foresight estratégico sobre o futuro da saúde brasileira. O estudo que publiquei — Futurismo em Saúde 2028 — nasceu de inquietações que, acredito, são comuns a muitos líderes do setor: como sustentar um sistema que envelhece, sem ampliar sua base contributiva? Como conciliar tecnologia, eficiência e propósito em um ambiente de margens cada vez mais comprimidas?

A saúde no Brasil vive uma crise silenciosa, mas profunda. A base de beneficiários da saúde suplementar está praticamente estagnada há uma década, enquanto a população idosa cresce em ritmo acelerado. Mais de 70% dos planos de saúde são empresariais, dependentes do emprego formal em um país onde quase metade da força de trabalho é informal.

Esse desequilíbrio é agravado por um modelo de remuneração que ainda privilegia o volume em vez do valor. Glosas, fragmentação e desconfiança entre os elos da cadeia transformaram a saúde suplementar em um campo de tensão permanente entre prestadores e pagadores. De um lado, operadoras pressionadas por sinistralidade crescente, de outro, hospitais que lutam para equilibrar eficiência, qualidade e sustentabilidade.

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E, paradoxalmente, a tecnologia que deveria ser o motor da transformação tem sido usada de forma fragmentada e pouco estratégica. Investimos em sistemas, mas não em processos eficientes que potencializados por tecnologias e modelos de interoperabilidade. Falamos em inovação, mas ainda medimos produtividade por quantidade. O problema não é falta de tecnologia, é falta de alinhamento entre dados, cultura, propósito e entendimento do que de fato queremos para a saúde brasileira.

Ao projetar os cenários para 2028, percebi que o futuro da saúde não será determinado pela inteligência artificial, pela telemedicina ou pelos wearables, mas pela liderança capaz de integrar pessoas, processos e dados em torno de um propósito comum: entregar valor real ao paciente e à sociedade.

Há três caminhos possíveis diante de nós. O cenário provável, se nada mudar, é o da estagnação: um sistema cada vez mais caro e ineficiente. O cenário desejável é o da integração inteligente, com dados interoperáveis, modelos baseados em desfecho e sustentabilidade como eixo estratégico. E há um cenário disruptivo, em que a saúde se torna verdadeiramente distribuída, personalizada e preventiva, impulsionada pela IA, pela biotecnologia e por líderes que entenderam que não são gestões de problemas e sim de soluções.

Mas nada disso acontecerá por inércia. O futuro não é uma linha do tempo, é uma construção coletiva. Ele depende das decisões que tomamos agora: investir em interoperabilidade, gestão de dados, IA, estruturas de tecnologia com capacidade de sustentar o avanço tecnológico, valorizar a liderança híbrida, adotar métricas de valor, reduzir o desperdício e colocar o paciente de volta no centro do ecossistema.

Acredito que esta década definirá quem vai prosperar e quem ficará pelo caminho. E não será pela quantidade de tecnologia, mas pela qualidade das conexões humanas que conseguirmos manter em meio à revolução digital e como conseguimos empilhar soluções e não custos.

“O futuro da saúde não é sobre algoritmos. É sobre líderes que decidem usar algoritmos para cuidar melhor das pessoas e encontrar formas mais sustentáveis de se salvar vidas”.

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