
O Índice Anual de Preparação para IA da Cisco mostra que 83% das organizações no mundo todo planejam implantar agentes de IA, e quase 40% esperam que os robôs trabalhem ao lado de funcionários dentro de um ano. A pesquisa, publicada alguns dias antes do Cisco Partner Summit* 2025, evento realizado entre os dias 3 e 4 de novembro para os parceiros da empresa, retrata bem o porquê do foco da organização na inteligência artificial (IA).
O plano para este e para os próximos anos é poder oferecer aos clientes todas as pontas de apoio, tanto para a implementação da IA quanto a sua manutenção. Na visão de Chuck Robbins, CEO da companhia, enquanto provedora de hardware e software, a Cisco possui uma posição privilegiada na era da IA.
Durante sua apresentação de abertura na keynote do evento, que ocorre em San Diego, nos Estados Unidos, o executivo incentivou seus associados à tirar vantagem disso “Nosso poder vem do ecossistema que temos para ativar, que inclui rede, segurança, observabilidade, colaboração e vocês, que transformam isso em resultados para os clientes”, disse.
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Apesar da confiança no atual ecossistema, ao longo do evento, a empresa anunciou novas ferramentas para aprimorar sua entrega e conquistar ainda mais espaço no mercado. Com 54% das organizações sentindo que ainda não possuem a rede necessária para implantar agentes, e apenas 20% delas acreditando ter acesso à quantidade adequada de GPUs de que precisam, a primeira novidade foi o Cisco Unified Edge, uma plataforma pensada para possibilitar arquiteturas de rede descentralizadas que suporte os agentes de IA.
“Mais da metade dos pilotos de IA de hoje está paralisada devido a restrições de infraestrutura. A borda é a nova fronteira da IA, e projetamos tudo isso para que possa crescer e se adaptar sem a necessidade de atualizações de ‘substituições completas’”, afirmou o CEO.
O lançamento vem ainda de uma demanda nova no mundo, já o número de dados processados cresce a cada dia dentro das empresas. No entanto, Robbins reforçou que 55% do crescimento de dados que está ocorrendo agora se dá com dados de máquinas, não gerados por humanos, aumentando a necessidade por dispositivos capazes de suportar esta nova carga de trabalho. A Cisco prevê que 75% dos dados empresariais serão criados e processados em dispositivos de borda este ano.
Um problema de dados
Após cuidar do hardware, foi a vez do software sofrer alterações. Com o crescimento no número de ataques cibernéticos após a chegada a inteligência artificial, a Cisco decidiu investir ainda mais na pauta de cibersegurança, utilizando a ferramenta que fere para ferir os invasores. A escolha, de acordo com Jeetu Patel, presidente e CPO da companhia, veio da crença de que a deficiência de resiliência digital das empresas é, na verdade, um problema de dados.
“Você precisa dos dados corretos para responder às ameaças, e nós temos essa telemetria para garantir que a infraestrutura volte ao funcionamento”, disse ao declarar as novidades dentro da Security Cloud Control, plataforma de gerenciamento unificado da empresa.
A partir de agora, além de ter uma visão geral de seus clientes, entre entidades gerenciadas, assinaturas e controles de acesso, os parceiros poderão receber insights de agentes de IA. A tecnologia permitirá a automação de tarefas rotineiras, um onboarding padrão automatizado, e a investigação de possíveis problemas de segurança antes de qualquer deslocamento.
O serviço reflete ainda o novo posicionamento da Cisco em relação aos parceiros. Desde o ano passado, a companhia vem anunciando mudanças em seu programa de parcerias, cada vez mais voltado à especialização das empresas e em serviços gerados e de consultoria, que hoje já representam 96,5% de toda receita gerada pelos associados.
“A confiança é algo que nos guia e estamos absolutamente convencidos de que não podemos fazer isso sem o ecossistema, e é por isso que falamos em torná-lo ágil”, afirmou Elisabeth De Dobbeleer, vice-presidente sênior do Programa de Parceiros Cisco, durante conversa com jornalistas.
Para Carlos Pereira, chefe de Arquitetura de CX, a novidade trará uma vantagem competitiva especial para países como o Brasil, com grande extensão e complexidade territorial. “Estamos falando de um país onde eu preciso atender o cliente da Faria Lima, mas também o do norte do Pará. E nem sempre, pra esse cara, eu consigo mandar uma equipe amanhã ou o custo é muito alto.”
*A jornalista viajou à San Diego à convite da Cisco
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