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Gustavo Avelar, vice-presidente da RD Station, fala em um palco iluminado com luzes azuis durante o RD Summit, segurando um controle e utilizando microfone de cabeça.

Investimentos em inteligência artificial (IA) e maior integração entre suas soluções e as de sua controladora, a Totvs. Esse é o caminho traçado pela liderança da RD Station, plataforma de automação de marketing e CRM, para continuar expandindo seus negócios. A estratégia foi apresentada ao longo dos três dias do RD Summit, principal encontro anual da companhia para parceiros e clientes, realizado nesta semana em São Paulo.

No centro das atenções, como esperado, esteve a IA. Na visão da RD, a tecnologia tem trazido novos desafios importantes para as operações de marketing e vendas das companhias. Entre eles estão a queda do tráfego orgânico, a explosão de dados originários de jornadas de compra multicanais e os ciclos acelerados de novas tecnologias. “É fundamental que todos entendam esse novo contexto, revisem suas premissas, rituais e processos, e adaptem suas operações com mais frequência”, disse Gustavo Avelar, vice-presidente da RD Station.

A companhia, no entanto, também vê na adoção da IA a solução para navegar por essas transformações. Entre os lançamentos de produtos apresentados durante o evento, nove deles integram a tecnologia de alguma forma. De acordo com Avelar, a estratégia da RD com a tecnologia tem seguido três fases, construídas de forma gradual para equilibrar ganho de eficiência e confiança do usuário.

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O primeiro estágio é voltado à produtividade, com a IA atuando como assistente pontual: recomendações de conteúdo, análises simples e sugestões automáticas que reduzem o esforço operacional, mas sem assumir decisões críticas.

O passo seguinte avança para um modelo de copiloto. É nessa fase que está a Rê da RD, assistente de IA revelada durante o Summit, que estará presente em todas as soluções do portfólio da organização. Além de apoiar usuários na operação, análise de dados e levantamento de oportunidades, a solução é capaz de orientar o usuário e antecipar ações. Ainda assim, não executa tarefas de forma autônoma.

O estágio final é mais ambicioso: a criação de agentes que operam o produto por conta própria, executando fluxos completos de marketing e vendas. A companhia já oferece três agentes em seu marketplace e, durante o evento, anunciou sua adoção do MCP, protocolo que conecta ferramentas de IA aos dados de produtos para automatização de fluxos de trabalho. “Quanto mais eu delego, mais começo a assumir um risco razoável na relação com o cliente. Por isso, precisamos de muito treinamento. Precisamos fazer isso com calma, sem pular etapas”, afirmou o líder da RD.

Para também apoiar clientes na adaptação às transformações trazidas pela IA, a empresa revelou ainda o Radar GEO. A ferramenta gratuita analisa conteúdos de sites e indica, por meio de um escore, quão preparado ele está para ser bem indexado em plataformas de IA generativa – incluindo o ChatGPT e o Gemini. Além disso, a ferramenta traz sugestões para direcionar a estratégia de GEO (Generative Engine Optimization), conjunto de técnicas equivalentes ao SEO para IAs generativas.

“Essa é uma primeira versão para ajudar as empresas a se posicionarem nesse novo mundo, que não é só mais orgânico”, pontuou Bruno Ghisi, cofundador e CTO da RD Station, ao IT Forum.

RD acelera desenvolvimento com IA

Não é da porta para fora que a estratégia de IA da RD tem sido implementada. Internamente, a companhia também está em uma jornada de inteligência artificial que tem gerado ganhos de eficiência no desenvolvimento de tecnologia e em processos. Como explica Ghisi, a adoção de IA tem sido conduzida de forma progressiva e com foco em aprendizado contínuo. A transformação não é apenas tecnológica, mas cultural, ele destaca.

No time de desenvolvimento, toda a equipe passou a utilizar uma ferramenta padronizada de apoio à geração de código, o que permitiu ganhos mensuráveis nos ciclos de entrega. “A gente aumentou a produtividade em 20% e encurtou em 30% o tempo entre começar a desenvolver e colocar no ar”, indicou Ghisi.

Os números ainda estão sendo acompanhados para validação contínua, mas já indicam impacto direto no fluxo de trabalho e no bem-estar dos profissionais: tarefas repetitivas diminuíram, e os desenvolvedores conseguem dedicar mais energia a atividades criativas e de maior valor, segundo o CTO. Agora, a estratégia é expandir esses experimentos para outras áreas da companhia, como vendas, marketing e atendimento. “A gente está num momento de empresa que está testando, vendo reais benefícios das ferramentas que usa”, explicou. “A coisa vai evoluir a cada iteração.”

Olhando a organização como um todo, a RD também tem o papel de “desbravar” o tema da IA por conta da natureza de seu negócio. A avaliação é de Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs, que, em conversa com o IT Forum, apontou que a RD tem a agilidade para explorar temas de IA que a própria Totvs ainda não pode abordar.

“RD é uma parte absolutamente essencial do ecossistema da Totvs”, indicou o executivo. “A IA impacta mais rapidamente a RD do que a unidade de gestão, simplesmente porque a RD tem um portfólio menos complexo e menos crítico do que o ERP. Isso permite que a velocidade de adoção de IA nesse ambiente seja maior.”

Back e front office unidos

Além das apostas em soluções de IA, a RD também vive um momento estratégico de aproximação profunda com o ecossistema de soluções da Totvs. Uma das ambições é reduzir a separação histórica entre sistemas de front office, responsáveis por relacionamento e vendas, e os sistemas de back office, que concentram processos operacionais e financeiros. “Esse mundo de back office e front office vai se juntar. Essa fronteira entre o ERP e soluções como a da RD Station vai diminuir drasticamente”, afirmou Avelar, líder da RD Station, em conversa com o IT Forum.

A integração entre as duas camadas não é apenas tecnológica, mas orientada a casos de uso específicos nos setores atendidos pela Totvs, como saúde, educação e varejo. Avelar explica que, hoje, para conectar ações de relacionamento da RD com dados do ERP, ainda é necessário desenvolver projetos e camadas de serviço. A visão de médio prazo é transformar essa integração em produto, permitindo que as automações funcionem de forma nativa.

“Se eu torno isso nativo para o mercado como um todo, porque estou integrado ao ERP da Totvs, ganho uma agilidade absurda para lidar com uma complexidade grande de casos de uso”, explicou.

Para ilustrar o potencial da integração, Avelar usou o setor de saúde como exemplo. Clínicas e consultórios convivem com um problema recorrente: a alta taxa de faltas em consultas agendadas. Com o compartilhamento automático de dados entre RD e ERP, seria possível, por exemplo, disparar confirmações de consulta, registrar respostas, atualizar agendas e sinalizar mudanças para a recepção sem intervenção manual.

A estratégia também tem sido vista como um diferencial competitivo. Como a Totvs já atua com força em dezenas de segmentos, a RD Station ganha um caminho direto para oferecer soluções de CRM altamente aderentes aos processos de mercados nichados. “Para competir com players especializados, se eu estiver bem integrado dentro da Totvs, consigo ser sinérgico com a visão de segmentos da companhia”, concluiu.

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