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A imagem mostra um chip eletrônico estilizado com o logotipo da NVIDIA no centro, sobre um fundo que simula circuitos digitais. É uma representação visual que remete a tecnologia avançada, processamento gráfico e inteligência artificial.

Os mercados globais abriram em forte queda nesta terça-feira (18), refletindo a combinação de preocupações sobre valuations inflados na corrida da inteligência artificial e um cenário macroeconômico mais incerto. Reportagem do CNBC aponta que a correção ganhou força às vésperas da divulgação dos resultados trimestrais da Nvidia, considerada o principal termômetro para a indústria de IA devido ao domínio de suas GPUs.

Na Europa, o Stoxx 600 iniciou o dia no vermelho, com mineradoras e bancos entre as maiores perdas. O índice europeu de tecnologia recuou 1,4%, acompanhando a tendência observada na véspera nas bolsas americanas. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam o último pregão em baixa e caminham para o quarto dia seguido de perdas, afetados também pelas quedas de gigantes como Amazon, Microsoft, Nvidia e Palantir no pré-mercado.

Na Ásia-Pacífico, os principais índices do Japão e da Coreia do Sul também recuaram.
Segundo especialistas ouvidos pelo CNBC, o movimento atual se assemelha a uma realização de lucros após meses de valorização acelerada puxada pela adoção de IA. Para Mike Gallagher, da Continuum Economics, as bolsas podem cair cerca de 5% a partir dos picos recentes, ou um pouco mais, sem que isso indique mudança estrutural.

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Ele classifica o momento como “natural”, embora admita que investidores começam a reavaliar riscos diante da combinação entre incertezas macro e expectativas exageradas sobre a velocidade de retorno dos investimentos em IA.

A reportagem destaca ainda a análise de Yuri Khodjamirian, CIO da Tema ETF, que vê na queda uma “dose saudável de ceticismo”. Ele lembra que anúncios de megaprojetos de OpenAI, Microsoft e outros players exigirão capital massivo e infraestrutura, especialmente de energia, cujo fornecimento já se mostra um gargalo global.

Além da cautela em tecnologia, há pressão adicional sobre criptomoedas: o bitcoin já cai 25% desde o pico de outubro, acompanhado por quedas ainda maiores no ether. Segundo especialistas, o setor sofre tanto com o ambiente macro quanto com liquidações forçadas de posições alavancadas.
Mercado monitora energia, crédito e política monetária.

Outro ponto que chama atenção é o financiamento da própria corrida da IA. Alphabet, Meta e Amazon aumentaram emissões de dívida para sustentar investimentos em nuvem, data centers e chips dedicados. Apesar disso, analistas apontam que os spreads de crédito corporativo ainda não mostram deterioração significativa.

No campo macroeconômico, há dúvidas sobre uma possível redução de juros pelo Federal Reserve em dezembro, cenário que, segundo Gallagher, tornou-se menos provável. O mercado também monitora o julgamento da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas recíprocas propostas por Donald Trump, decisão que pode reativar tensões comerciais e afetar expectativas de risco.

De acordo com o Citi, apenas oito dos 18 indicadores de seu “bear market checklist” estão em zona de alerta. Para o banco, não há sinais claros de euforia extrema em IPOs, fusões e fluxos para ações, elementos que caracterizaram ciclos de bolha anteriores. Assim, a recomendação segue inclinada ao “buy the dip”, embora com mais seletividade.

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