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Anaterra Oliveira, CIO da Dasa

Com olhar atento para o que muitos tratariam apenas como um detalhe, a VP de tecnologia da Dasa, Anaterra Oliveira, transformou a rotina de milhares de médicos e pacientes da companhia.

No início de 2023, a executiva e sua equipe perceberam que havia um problema com o sistema de gestão de escalas médicas em diagnósticos. Além de não permitir a padronização entre as unidades, a solução não oferecia todos os recursos necessários em casos de cancelamento do exame ou ausência do médico.

“Quando o médico tinha uma emergência e precisava faltar, nossa equipe interna precisava realizar o processo de substituição manualmente. Então, além de gerar uma demanda a mais para a equipe, muitas vezes era preciso desmarcar o exame, o que prejudicava a empresa e o paciente”, conta.

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Diante de um volume de cerca de 70 milhões de escalas por ano, Anaterra decidiu agir. A primeira tentativa foi desenvolver internamente uma solução, adaptando plugs de ferramentas já usadas pelo RH. Mas logo ficou claro que os resultados não atendiam às necessidades específicas da área médica.

Foi então que, baseada em uma forte cultura open innovation, a executiva optou por buscar soluções de mercado já preparadas para o ambiente da saúde. Encontrou na Go Health uma parceira adequada.

A ferramenta de gestão de escalas médicas desenvolvida pela startup é baseada em plataforma Software as a Service (SaaS) e foi escolhida por sua capacidade de padronização, além de centralizar a comunicação com os médicos e permitir a publicação automatizada de escalas e oportunidades para os profissionais de saúde. A única dúvida estava na capacidade do sistema em processar todo o volume gerado pela Dasa diariamente.

“Enfrentamos muitos desafios tecnológicos para colocar a solução de pé, desde os testes de volumetria até as questões de segurança da informação. Foi essencial dialogar com os desenvolvedores, que precisaram adaptar o sistema à realidade de uma empresa do nosso porte”, lembra ela.

Para validar a solução, Anaterra conduziu provas de conceito (POCs). Foram três rodadas de testes ao longo de quatro semanas, envolvendo 485 médicos de ultrassom das marcas Delboni e Lavoisier, na regional São Paulo, com acompanhamentos a cada 15 dias.

Ao final do período de experimentação, as unidades selecionadas haviam apresentado uma redução de 26% no número de lacunas na escala médica e uma melhora de quase 30 pontos no NPS dos médicos, além de um aumento de cerca de 30% nas receitas geradas nas unidades.

O sucesso da POC abriu caminho para a expansão. A estratégia foi escalar em etapas, iniciando nas unidades de maior demanda em ressonância e ultrassom e avançando para as demais. Atualmente, aproximadamente 70% das unidades da Dasa estão integradas à plataforma.

“Agora, os próprios médicos acessam a escala pelo aplicativo, conseguem visualizar vagas disponíveis e até informar com antecedência quando não poderão comparecer. Isso trouxe muito mais organização à rotina deles.”

A mudança também impactou a gestão interna, oferecendo maior previsibilidade e controle sobre os pagamentos aos profissionais. Anaterra vê a solução como uma saída criativa para sustentar o ROI sem renunciar à qualidade da infraestrutura. “No fim, é refletir sobre como podemos transformar a saúde com tecnologia”, afirma.

*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.

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