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Rodrigo Nardoni, VP da B3

Quando Rodrigo Nardoni tinha 15 anos, sua mãe enxergou antes dele um futuro promissor. Foi ela quem o inscreveu no colegial técnico em Campinas, no interior de São Paulo, em uma época em que computadores ainda eram raridade nos lares brasileiros. Nardoni, hoje vice-presidente de tecnologia e segurança cibernética da B3, pouco compreendia o impacto daquela escolha. Mas foi ali, entre aulas de lógica e os primeiros exercícios de programação, que despertou uma paixão que o acompanharia por toda a vida.

No último ano do curso técnico, Nardoni viveu uma cena que ainda hoje guarda na memória: desenvolver um sistema em Pascal para o trabalho de conclusão e executá-lo na casa de um amigo. Aquele pequeno feito foi o estopim de uma trajetória que levaria o jovem campineiro ao maior mercado de capitais da América Latina.

Formado em análise de sistemas pela PUC-Campinas, empreendeu cedo. Ele, contudo, nutria o sonho de trabalhar na IBM. Em 1995, o desejo virou realidade. “Foi minha primeira grande escola. Ali aprendi que a tecnologia muda o tempo todo, enquanto os negócios são mais perenes.”

Após experiências em automação industrial e no Citibank, Nardoni ingressou na então BM&F, onde enfrentou um dilema comum a tantos profissionais de tecnologia: assumir responsabilidades de liderança ou seguir programando? “Passei pela dor de crescimento. Tive de entender que ser líder é mover pessoas em prol de um propósito comum.” Essa virada de chave moldou o gestor que, duas décadas depois, se tornaria vice-presidente de tecnologia e segurança cibernética da B3.

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Em 23 anos de casa, Nardoni consolidou dois aprendizados. O primeiro é o inconformismo positivo, que o mantém em busca de evolução constante. O segundo, a proximidade com as pessoas, fator que considera essencial para inspirar os mais de 1,3 mil profissionais de tecnologia que lidera. “Meu papel é ser catalisador. Eu acelero, ajudo a resolver dores para que eles entreguem seu melhor.”

Experiência que faz a diferença

Essa filosofia ficou evidente no mais recente projeto estratégico da B3, a modernização da plataforma de negociação, com foco na redução da latência, o tempo entre a ordem de compra e venda e sua execução. Para os High Frequency Traders (HFTs), que respondem por cerca de 40% das operações na bolsa, cada microssegundo conta. Em 2023, a média era de 1,2 mil microssegundos. Após dois anos de trabalho colaborativo, esse número caiu para 350, redução de 70%.

Mais do que velocidade, o projeto entregou estabilidade próxima a 100% e menor variância nos resultados, permitindo que os algoritmos operem de forma mais previsível. Isso significa mais liquidez, mais negócios e um ciclo virtuoso para o mercado de capitais brasileiro. “Se não oferecermos o melhor serviço, esses investidores podem simplesmente ir para outra bolsa. A tecnologia é o que garante a atratividade e o desenvolvimento do mercado”, conta.

O diferencial, porém, esteve no “como” a transformação foi conduzida. Clientes foram chamados para dentro do processo, oferecendo feedbacks em tempo real. Interfaces antigas e novas rodaram em paralelo para garantir adaptação suave. O resultado foi uma plataforma mais simples, automatizada e alinhada a padrões internacionais. “Recebemos elogios pela transparência e lisura do trabalho.”

O projeto fortaleceu parcerias tecnológicas, gerou aprendizado interno e ampliou a confiança do mercado. Mas, para Rodrigo, é apenas uma etapa de uma jornada que mira no futuro: tokenização de ativos, liquidação em tempo real e uso da inteligência artificial como acelerador da produtividade. “A IA vai mudar profundamente todas as profissões, assim como o computador mudou. Nosso desafio é usar essa tecnologia para ampliar possibilidades, sem perder o humano do centro.”

Aos 53 anos, o executivo olha para trás e reconhece que aquela decisão da mãe, décadas atrás, mudou não só sua vida, mas, de alguma forma, o próprio mercado financeiro brasileiro. “A tecnologia é um meio para gerar confiança e desenvolvimento. No fundo, continuo perseguindo o mesmo objetivo, que é satisfazer sonhos, agora os de milhões de investidores que confiam na B3.”

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