
Na Secretaria da Fazenda de Pernambuco (SEFAZ-PE), a tecnologia se tornou ferramenta de justiça social. Danielle Campello de Melo, superintendente de TI do órgão, lidera o projeto “Trilhas Fiscais e Sociais”, que cruza dados fiscais com informações sociais para garantir que recursos públicos cheguem exclusivamente a quem tem direito. O resultado: economia de R$ 135 milhões em dois anos e mais de 1,3 milhão de CPFs indevidos identificados.
A iniciativa rendeu a Danielle o prêmio Executivo de TI do Ano 2025 na categoria Setor Público. Desenvolvida inteiramente e ferramentas já disponíveis na secretaria, o projeto representa uma mudança de paradigma na gestão de programas assistenciais. A solução nasceu da identificação de fragilidades no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). A equipe da SEFAZ-PE cruzou esses dados com informações tributárias internas: notas fiscais eletrônicas, faturamentos empresariais, propriedade de veículos e contas de energia.
“Desenvolvemos um dashboard em que algoritmos permitiram o cruzamento desses dados, identificando a inadequação de centenas de milhares de inscritos”, explica Danielle. O sistema utiliza QlikSense e machine learning para processar grandes volumes em tempo real. Aplicado primeiro no “Décimo Terceiro do Bolsa Família” pernambucano, o projeto economizou R$ 45 milhões em 2023 e R$ 90,7 milhões em 2024.
Leia mais: Leila Zimmermann usa dados para personalizar produtos e gerar receita na Mondelez
De 604 mil CPFs indeferidos em 2024, apenas 478 recorreram da decisão – menos de 50 foram revertidos. “Imagine que uma pessoa que está recebendo o 13º do Bolsa Família não poderia estar sendo sócia de uma empresa”, exemplifica a superintendente.
O sucesso está na governança estruturada desde 2019. A SEFAZ-PE adota metodologias ágeis com participação direta das áreas de negócio nos times de tecnologia. “O próprio negócio está no time de TI definindo prioridades. Isso faz tudo fluir mais rápido”, avalia Danielle. Gerenciando 256 pessoas e 11 sistemas corporativos estaduais, ela criou uma cultura de inovação mesmo no ambiente público. “Permitimos trabalhar de bermuda, temos mesas coloridas. Quando você abre a porta do elevador, sabe que é o andar de TI.”
O projeto já se expandiu para outros programas sociais como o Mãe Coruja. A solução chamou atenção federal – o secretário apresentará a experiência em feira do BID na Costa Rica. Para Danielle, o maior aprendizado foi “compreender o poder da tecnologia aliada à responsabilidade social”. Seu conselho para outras instituições públicas: “Olhar para dentro, identificar gaps de negócio e ver o que a tecnologia pode resolver com o que você já tem.”
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

