
A curiosidade sempre foi motor da trajetória de Gustavo França. Nascido em Salvador, na Bahia, era movido por descobertas e encontrou na matemática uma forma de expandir seus horizontes. “Sempre fui muito curioso e, ao mesmo tempo, estudioso. Era aluno, monitor de matemática e de cálculo”, relembra.
A proximidade com as exatas o levou à informática. Ingressou em uma das primeiras escolas estaduais com ensino técnico em computação, onde descobriu a paixão pela área. Chegou a dar aulas em tempos em que microcomputadores pessoais se popularizavam no Brasil, ensinando ferramentas como Word, Excel e Access.
Foi estagiário na Secretaria da Fazenda da Bahia, onde começou a usar tecnologia como ferramenta de transformação. Buscava automatizar tarefas e criar templates para reduzir atividades repetitivas, origem de seu fascínio pela automação.
Em 1999, entrou na Gerdau como estagiário. “Não tinha computador nem celular. A Gerdau tinha mais tecnologia do que eu”, conta. A empresa acelerou seu aprendizado, mas também marcou a transição da carreira técnica para a liderança.
A mudança aconteceu naturalmente. Impulsionado por programas de desenvolvimento interno, iniciou cedo sua formação em liderança. Sua primeira posição formal foi como facilitador, sem equipe direta, mas responsável por coordenar pessoas e processos. “Descobri que minha missão não era só fazer, mas inspirar e mobilizar mentes brilhantes para realizarem coisas incríveis”, afirma.
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Inteligência na ponta
Em 2007, França se tornou gerente de TI da companhia e continuou ganhando espaço até ser nomeado, há seis anos, CIO global. Hoje, lidera um novo processo de transformação da empresa centenária por meio do uso da inteligência artificial (IA) com o projeto “Gerdau Intelligence”, que busca ampliar o uso da inteligência artificial generativa na empresa, de forma global, segura e escalável.
Pela iniciativa, foi o primeiro colocado do prêmio Executivo de TI do Ano 2025 na categoria Siderurgia, Metalurgia e Mineração. “Muitas pessoas veem a IA com medo da substituição do trabalho. Eu vejo o contrário: a possibilidade de amplificar a forma como entregamos valor”, explica.
O projeto deu origem a uma plataforma unificada de IA para toda a organização, que atende a casos de uso comuns para diversas áreas da companhia, como leitura de documentos, além de apoiar os mais de 30 mil colaboradores da Gerdau no acesso a informações sobre os principais temas internos da organização, como plano de saúde, férias, reembolsos e abertura automatizada de chamados.
A transformação pela IA, avalia, também impacta o papel do CIO. Para França, o líder de tecnologia precisa ser cada vez mais um líder de negócios, capaz de entender fluxos de valor e desbloquear alavancas com apoio da tecnologia. “O CIO vai ser o líder de negócios do momento atual e do futuro. O meu tempo hoje é muito mais para aprender sobre negóciso do que sobre tecnologia.”
Ainda assim, a chama técnica permanece. “Tem dias que, pela manhã, faço mentoria com um dos meus especialistas de ciência de dados. Troco com ele sobre dilemas práticos e estratégicos. É uma forma de continuar aprendendo”, conclui.
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