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Carros elétricos, CES. Foto: Shutterstock

A edição de 2026 da CES, realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos, entre os dias 6 e 9 de janeiro, consolida uma mudança relevante na estratégia da indústria automotiva global. Em vez do protagonismo dos veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês), a feira passa a ser dominada por anúncios e demonstrações ligados à direção autônoma, inteligência artificial (IA) e softwares avançados, em um momento em que montadoras reavaliam investimentos diante de custos elevados, incertezas regulatórias e menor demanda por EVs.

Fornecedores automotivos, startups e empresas de tecnologia levam à CES uma nova geração de hardware e software voltada a reduzir, ou eliminar, a necessidade de intervenção humana ao volante. Parcerias estratégicas e acordos comerciais envolvendo sistemas de assistência avançada, sensores, chips e plataformas de IA devem marcar a programação, sinalizando onde a indústria aposta para destravar novas fontes de receita.

Segundo executivos do setor, e de acordo com a Reuters, a inteligência artificial deixa de ser apenas um componente embarcado nos veículos e passa a estruturar toda a arquitetura dos sistemas autônomos. A expectativa é que a conectividade entre sensores, dados em tempo real e algoritmos de decisão esteja no centro das atenções ao longo da feira.

O avanço da IA na CES não se limita ao setor automotivo. A tecnologia aparece integrada a robôs, dispositivos vestíveis, soluções para casas conectadas e aplicações em saúde, ampliando a percepção de que a autonomia baseada em software se tornou um eixo central da próxima fase da indústria de tecnologia.

Entre os destaques da programação estão palestras de líderes de empresas de semicondutores e computação de alto desempenho. Executivos da Nvidia e da AMD figuram entre os principais nomes esperados no palco principal, reforçando o papel estratégico dos chips no avanço da direção autônoma e de aplicações de IA em larga escala.

Menos elétricos, mais cautela

O reposicionamento das montadoras fica evidente na ausência de grandes lançamentos de novos veículos elétricos nesta edição da CES. Após anos em que a feira se consolidou como vitrine para EVs, o cenário mudou. A retração de incentivos e políticas favoráveis aos elétricos nos Estados Unidos, somada à desaceleração da demanda, levou diversas fabricantes a adiar ou cancelar projetos.

A mudança de postura ocorre em paralelo a ajustes mais amplos nas estratégias de capital. Após absorver bilhões de dólares em perdas associadas à revisão de planos para EVs, muitas empresas adotam uma abordagem mais conservadora, priorizando eficiência operacional e retorno sobre investimento.

Apesar dos desafios históricos, o setor de veículos autônomos volta a ganhar fôlego. O lançamento de serviços experimentais de robotáxis e a expansão de operações comerciais nos Estados Unidos reacenderam o interesse de investidores e executivos. Avanços em sistemas de assistência ao motorista também contribuem para essa retomada, com funcionalidades como condução sem uso das mãos em rodovias e trocas automáticas de faixa.

Algumas montadoras e startups já trabalham em recursos mais avançados, incluindo condução urbana com mínima supervisão humana. A evolução desses sistemas, no entanto, continua condicionada a aprovações regulatórias, validações de segurança e aceitação do consumidor.

Custos e tarifas no radar

Mesmo com o foco renovado em autonomia, a pressão por custos segue como um dos principais temas da CES 2026. Tarifas impostas sobre veículos e autopeças importadas, além do aumento da concorrência de fabricantes chineses, afetam diretamente as margens das montadoras.

Diante desse cenário, muitas empresas optaram por absorver parte dos custos adicionais em vez de repassá-los aos consumidores, o que reforça a busca por ganhos de produtividade via software, automação e plataformas digitais. A competitividade de custos, segundo analistas do setor, tende a se tornar um diferencial tão importante quanto a inovação tecnológica nos próximos anos.

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