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A imagem apresenta a bandeira do Irã como plano de fundo, composta por três faixas horizontais nas cores verde (superior), branca (central) e vermelha (inferior), com padrões caligráficos islâmicos repetidos nas bordas das faixas verde e vermelha. No centro da faixa branca está o emblema nacional do Irã, em vermelho. Elementos principais: Silhuetas de soldados armados: Cinco figuras em posição de marcha ou prontidão, distribuídas ao longo da imagem, reforçando um tema militar. Armas visíveis: As silhuetas carregam rifles, sugerindo um contexto de defesa ou conflito. Gráficos e textura: A bandeira apresenta um aspecto desgastado, com marcas e sombras, transmitindo uma sensação de tensão ou cenário histórico. Essa composição remete a temas de forças armadas, segurança nacional e contexto geopolítico envolvendo o Irã.

O Irã atravessa o quinto dia consecutivo de um apagão digital quase completo, que deixou a população sem acesso à internet e a serviços básicos de comunicação por mais de 90 horas. Segundo organizações de monitoramento, o bloqueio começou na quinta-feira passada, em meio ao agravamento de protestos contra o governo, e segue ativo, impactando mais de 90 milhões de pessoas em todo o país.

Dados divulgados pela NetBlocks, entidade internacional que acompanha interrupções de conectividade, indicam que os níveis de acesso à internet permanecem próximos de zero. De acordo com a organização, serviços de internet fixa, dados móveis e chamadas telefônicas estão desativados, enquanto outros meios de comunicação também vêm sendo progressivamente afetados.

O apagão digital é considerado um dos mais severos já registrados no país. Relatórios técnicos apontam que a interrupção não se limita a plataformas específicas ou a regiões isoladas, mas configura um bloqueio amplo da infraestrutura de telecomunicações. A medida ocorre em um contexto de manifestações contra o governo, que se intensificaram nos últimos dias em diferentes cidades iranianas.

Além das redes tradicionais, conexões via satélite também foram impactadas. O serviço da Starlink, operado pela SpaceX, voltou a sofrer interferências a partir da noite de sábado, segundo a organização iraniana de direitos digitais Filterbaan. Especialistas relatam que muitos usuários que haviam conseguido se conectar por meio do sistema de satélites perderam novamente o acesso, em função de ações de bloqueio e interferência de sinal.

Apesar disso, relatos locais indicam que as interrupções no Starlink não ocorrem de forma uniforme em todo o território iraniano. Em algumas áreas, o serviço ainda funcionaria de maneira intermitente, dependendo da localização e da intensidade das medidas de interferência aplicadas pelas autoridades.

A mídia estatal iraniana também passou a divulgar uma lista de aplicativos e serviços considerados “autorizados” para uso interno. Segundo o Tech Radar, entre eles estão mecanismos de busca, serviços de mapas e agências de notícias nacionais. Para analistas, a publicação dessa lista sinaliza que o governo não pretende restabelecer o acesso pleno à internet internacional nos moldes anteriores aos protestos, reforçando uma estratégia de controle da informação.

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Ferramentas tradicionais usadas para contornar censura digital, como VPNs, têm se mostrado ineficazes neste cenário. Especialistas explicam que esses recursos dependem de algum nível de conectividade ativa para funcionar, o que não ocorre durante um desligamento quase total da rede. Diante disso, alternativas como rádios de ondas curtas, comunicações via satélite de celular para celular e redes em malha (mesh networks) passaram a ser recomendadas como tentativas de manter algum fluxo de informação.

Amir Rashidi, diretor de segurança da internet e direitos digitais do Miaan Group, afirmou que aplicativos como Delta Chat e o navegador Ceno ainda apresentam algum grau de funcionamento e podem ajudar usuários a trocar mensagens de forma limitada. Mesmo assim, o alcance dessas soluções é restrito e não substitui o acesso pleno à internet.

Protestos seguem

O bloqueio das comunicações não impediu a continuidade dos protestos. Segundo reportagens da BBC, centenas de manifestantes teriam sido mortos nos confrontos recentes, enquanto um número ainda maior de pessoas foi detido pelas forças de segurança. Organizações internacionais alertam que a interrupção da internet dificulta a verificação independente dessas informações e limita a prestação de contas sobre possíveis violações de direitos humanos.

Em comunicado recente, a NetBlocks afirmou que as restrições estão comprometendo seriamente a cobertura jornalística e a transparência sobre a situação no país. Para a entidade, o desligamento das redes funciona como um instrumento para reduzir a visibilidade internacional dos acontecimentos internos.

A situação levou a uma reação coordenada da comunidade internacional ligada à governança da internet. Uma coalizão com mais de 30 especialistas e organizações publicou uma declaração conjunta condenando o apagão digital no Irã. O texto classifica a internet como um instrumento essencial para a conexão humana, para o funcionamento da economia e para o livre fluxo de informações.

Os signatários defendem que o bloqueio não pode ser tratado como uma simples medida de gestão de tráfego interno, mas como o isolamento deliberado de um país do resto do mundo. O grupo pede a restauração imediata do acesso integral e sem filtros à internet e convoca a comunidade técnica internacional a monitorar a conectividade e apoiar iniciativas que garantam uma rede aberta e acessível.

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