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A imagem mostra uma pessoa vestindo uma camisa vermelha, interagindo com ícones digitais exibidos em balões translúcidos. Os ícones representam conceitos corporativos e de gestão, incluindo: Um símbolo de porcentagem com uma lupa (análise financeira ou taxas). Um ícone de prancheta com marca de verificação (tarefas ou checklist). Um ícone de mão segurando cifrão (gestão financeira ou investimentos). Um ícone de pessoa diante de um quadro (treinamento ou apresentação). Um ícone de edifício corporativo (empresa ou infraestrutura). Um balão com a sigla CIO (Chief Information Officer). O fundo é neutro e desfocado, destacando os elementos gráficos. A composição transmite temas relacionados a liderança, tecnologia, gestão empresarial e tomada de decisão estratégica. (CISO)

O cibercrime é uma das atividades ilegais mais rentáveis da atualidade, mais até do que o tráfico de drogas. A afirmação parece forte, contudo, de acordo com o relatório de Tendências e Ciberameaças da NTT Data, o primeiro semestre deste ano registrou estimativas de US$ 13,2 trilhões em perdas com invasões em todo o mundo e o pagamento de resgate em casos de ransomware somaram US$ 6,3 trilhões. Violações de dados e sanções legais atingiram cerca de US$ 7 trilhões. Esse valor de quase US$ 27 trilhões é maior do que o PIB da China.

Enquanto o crime cibernético escala suas operações com o modelo Crime-as-a-Service (CaaS) e até grupos tradicionais — como máfias e cartéis — avançam suas ações para o ciberespaço, muitas empresas seguem tratando segurança cibernética como uma questão somente técnica, e não como parte central da estratégia corporativa.

Uma parte expressiva das companhias ainda não incorporaram a segurança cibernética ao centro da estratégia corporativa e os investimentos ainda são motivados por questões de conformidade ou quando a companhia sofre com os danos de um ataque.

O primeiro fator é bastante comum no setor financeiro, por exemplo, quando o Banco Central condiciona a operação mediante a comprovação de práticas robustas de segurança. O segundo motivo é o incidente, uma ação reativa.

Algumas empresas investem em segurança depois de um ataque, quando o prejuízo já está consolidado. O excesso de otimismo faz com que muitos gestores acreditem que as suas empresas jamais serão alvo. Mesmo cientes dos riscos, postergam decisões sobre o investimento em proteção — até que o incidente acontece.

O avanço da maturidade em cibersegurança passa pela capacidade das lideranças da área de dialogarem com a alta administração e se posicionarem como parte ativa da estratégia corporativa. Em empresas familiares – que representam 90% dos CNPJs do país e, juntas, totalizam 65% do PIB, de acordo com levantamento do Sebrae de 2024 – o investimento em cibersegurança não recebe a importância devida.

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Para que a segurança cibernética deixe de ser reativa e passe a ocupar espaço estratégico, o CISO precisa constantemente aprimorar a capacidade de dialogar com as áreas de negócios e com os executivos da empresa. Por exemplo, com o CFO — quem, na prática, controla a alocação dos recursos. Em grande parte das empresas brasileiras, especialmente nas familiares, o executivo financeiro é o guardião do orçamento, o responsável pela disciplina fiscal e, muitas vezes, a voz mais cética diante de investimentos que não se traduzem imediatamente em receita.

O desafio do CISO, portanto, não é apenas técnico; é comunicacional. Ele precisa traduzir ameaças, vulnerabilidades e impactos operacionais em linguagem financeira, conectando riscos tecnológicos a consequências mensuráveis no fluxo de caixa, no valuation da empresa, na continuidade das operações e no custo do capital. Em outras palavras, deve transformar “alertas” em argumentos econômicos concretos capazes de sustentar decisões de investimento.

Quando o diálogo entre CISO e CFO não acontece de forma madura, a segurança perde espaço para demandas consideradas mais urgentes, como expansão comercial, contratação, modernização de máquinas ou ajustes de caixa. Mas quando essa ponte é construída, o efeito é imediato: o CFO deixa de enxergar segurança como custo e passa a vê-la como mitigação de perda, proteção de receita e blindagem de valor.

Para elevar a maturidade em cibersegurança é indispensável que CISOs desenvolvam fluência financeira. Entender o ciclo orçamentário, o processo de aprovação de investimentos, o cálculo de ROI, a perspectiva de risco corporativo e a lógica de priorização do CFO é o caminho para transformar segurança em decisão de negócio, e não apenas em chamado de urgência depois do incidente. O futuro das empresas não será definido apenas pela inovação tecnológica, mas pela confiança que conseguirem preservar em um mundo cada vez mais digital e vulnerável.

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