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Imagem mostrando várias moedas douradas espalhadas sobre uma superfície onde aparece parcialmente o logotipo da Meta. As moedas estão desfocadas em alguns pontos, enquanto o nome “Meta” e o símbolo em azul ficam visíveis ao centro.

A Meta encerrou, na prática, sua ambiciosa aposta no metaverso. Na última semana, a empresa realizou uma nova rodada de demissões na divisão Reality Labs, responsável por projetos de realidade virtual e aumentada, atingindo cerca de 1,5 mil funcionários, aproximadamente 10% da equipe do setor. Além disso, vários estúdios internos de jogos em VR foram descontinuados, marcando uma inflexão relevante na estratégia da companhia que, em 2021, chegou a reformular sua identidade corporativa em torno dessa visão.

A decisão representa um contraste claro com o movimento feito quatro anos atrás, quando o então Facebook adotou o nome Meta e passou a defender que a próxima grande plataforma social surgiria em ambientes virtuais imersivos. À época, a empresa apostava que novas gerações prefeririam interações em mundos digitais, inspiradas por jogos online, em vez de redes sociais tradicionais.

O projeto também servia para afastar a marca de uma sequência de crises envolvendo privacidade de dados, denúncias de impactos negativos sobre jovens, audiências no Congresso dos Estados Unidos, acusações de práticas anticompetitivas e o papel das redes na disseminação de desinformação. A visão apresentada era a de um ambiente virtual persistente, no qual usuários se encontrariam, trabalhariam e consumiriam conteúdos por meio de aplicativos como Horizon Worlds e de headsets da linha Quest.

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Segundo o Tech Crunch, esse plano, no entanto, perdeu prioridade. De acordo com reportagens internacionais, a Meta encerrou operações de estúdios responsáveis por títulos importantes de realidade virtual, interrompeu a produção de novos conteúdos para aplicativos de fitness em VR e reduziu iniciativas corporativas, como a plataforma Workrooms, voltada ao uso profissional da tecnologia.

Em dezembro, a Bloomberg já havia informado que o orçamento da divisão de realidade virtual sofreria cortes de até 30%. No mesmo período, a empresa anunciou a suspensão do plano de licenciar seu sistema operacional de VR para fabricantes terceiros, sinalizando menor interesse em expandir o ecossistema além de seus próprios dispositivos.

Fator financeiro

O fator financeiro teve peso central. Ao longo dos últimos anos, a Reality Labs acumulou prejuízos bilionários sem apresentar lucro. Estima-se que cerca de US$ 73 bilhões tenham sido direcionados ao projeto desde sua criação, um volume que passou a gerar forte pressão de investidores por mudanças de rumo.

Além dos resultados financeiros, a adoção do metaverso ficou aquém do esperado. Dados de mercado indicam queda nas vendas globais de headsets de realidade virtual por três anos consecutivos até 2024, apesar da Meta concentrar mais de três quartos desse mercado. Mesmo com milhões de downloads do aplicativo Horizon, o uso permaneceu restrito quando comparado à base de mais de 3,5 bilhões de usuários diários das plataformas sociais da companhia.

Outro ponto crítico foi o modelo econômico proposto. Antes mesmo de o mercado ganhar escala, a Meta anunciou taxas elevadas sobre a venda de ativos digitais dentro do Horizon Worlds, somando quase metade do valor das transações. A política gerou resistência entre desenvolvedores e criadores de conteúdo, reduzindo o apelo da plataforma.

Questões de segurança também ganharam destaque. Relatos de assédio e abusos em ambientes virtuais levaram a empresa a adotar mecanismos corretivos apenas após episódios se tornarem públicos, repetindo críticas já feitas à condução de suas redes sociais tradicionais.

Enquanto o metaverso perdia espaço, outras apostas avançaram. Os óculos inteligentes Ray-Ban com recursos de realidade aumentada e integração com assistentes de IA registraram aumento de demanda e passaram a receber maior atenção estratégica. Paralelamente, a Meta ampliou investimentos em modelos de linguagem e aplicações de inteligência artificial, área hoje vista como prioridade.

Com isso, a empresa liderada por Mark Zuckerberg concentra esforços em produtos baseados em IA, óculos inteligentes e plataformas de software, deixando a realidade virtual em segundo plano após anos de investimentos intensivos.

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