
O avanço acelerado da tecnologia reposicionou o tema no centro do debate sobre riscos globais. Segundo o Global Risks Report 2026, publicado pelo World Economic Forum, inteligência artificial, cibersegurança e infraestrutura digital passaram a figurar entre os fatores mais críticos para economias e empresas nos próximos anos, em um cenário marcado por fragmentação geopolítica, tensões econômicas e instabilidade social.
O relatório mostra que metade dos especialistas consultados espera um ambiente global turbulento nos próximos dois anos. Conflitos geoeconômicos, polarização social, desinformação e eventos climáticos extremos aparecem de forma combinada, pressionando governos, empresas e instituições multilaterais. Nesse contexto, a tecnologia surge de forma ambivalente: ao mesmo tempo em que amplia riscos sistêmicos, também oferece caminhos relevantes para produtividade, resiliência e crescimento.
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Entre os destaques da edição de 2026 está a ascensão dos riscos tecnológicos. A inteligência artificial deixou de ser uma preocupação restrita a nichos especializados e passou a integrar o grupo dos cinco principais riscos de longo prazo. Já a insegurança cibernética ganhou protagonismo, substituindo o foco anterior em guerra cibernética e espionagem, refletindo a sofisticação e a frequência crescentes de ataques digitais com impactos econômicos e sociais diretos.
O relatório também chama atenção para a pressão sobre infraestruturas críticas, incluindo redes digitais e as fontes de energia que as sustentam. Sistemas envelhecidos convivem com uma expansão acelerada de novas infraestruturas voltadas a dados, computação em nuvem e aplicações de IA criando uma superfície de risco ampliada, exposta a falhas físicas, ataques cibernéticos e eventos climáticos extremos.
IA e produtividade
No caso da inteligência artificial (IA), o documento descreve um cenário de ganhos expressivos de produtividade, mas acompanhado de efeitos colaterais relevantes. Entre eles, estão impactos no mercado de trabalho, com a possibilidade de resultados econômicos assimétricos, nos quais eficiência e desemprego crescem simultaneamente. Esse fenômeno pode aprofundar desigualdades e ampliar tensões sociais, especialmente entre jovens profissionais e trabalhadores de áreas administrativas e de conhecimento.
Outro ponto sensível é a erosão de referências comuns de informação. O uso de IA para gerar e disseminar desinformação em larga escala afeta a confiança em instituições, processos democráticos e relações sociais. O relatório também menciona a ampliação do uso militar da tecnologia, o que eleva o risco de escaladas rápidas e não intencionais em cenários de conflito.
Apesar do volume crescente de investimentos em IA, o retorno financeiro de projetos mais ambiciosos ainda é incerto, o que gera volatilidade e cautela entre investidores. Para as empresas, o desafio passa a ser equilibrar inovação, governança e gestão de riscos, em um ambiente onde a adoção da tecnologia avança mais rápido do que a consolidação de marcos regulatórios e éticos.
Na frente da cibersegurança, o relatório aponta um aumento consistente na frequência e no impacto dos ataques. Casos envolvendo infraestrutura crítica, como sistemas de energia e recursos hídricos, ilustram a convergência entre riscos físicos e digitais. A intensificação da competição geopolítica amplia esse cenário, com atores estatais e não estatais utilizando ferramentas cibernéticas como instrumentos de pressão e desestabilização.
A infraestrutura digital aparece como outro eixo estratégico. O documento destaca um ciclo de investimentos trilionários em data centers, redes e sistemas avançados, impulsionado por IA, computação em nuvem e novos modelos digitais. Esse movimento, porém, vem acompanhado de riscos relacionados a atrasos de obras, gargalos logísticos, incertezas energéticas, vulnerabilidades cibernéticas e eventos climáticos extremos, capazes de gerar interrupções operacionais e perdas financeiras relevantes.
O relatório também introduz a computação quântica como um risco emergente. O avanço dessa tecnologia pode comprometer os atuais padrões de criptografia, exigindo que governos e empresas comecem desde já a planejar a transição para modelos considerados resistentes a ataques quânticos.
Diante desse cenário, o Global Risks Report 2026 aponta que organizações mais preparadas tendem a ser aquelas que integram a gestão de riscos tecnológicos às suas estratégias centrais, investem em resiliência digital, atualizam suas infraestruturas e desenvolvem competências internas para lidar com transformações aceleradas no ambiente tecnológico.
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