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Um martelo de juiz repousa sobre uma base redonda escura, acompanhado por uma fita tricolor nas cores azul, branca e vermelha que se estende ao redor do conjunto. A cena remete ao universo jurídico e à tomada de decisões formais em um tribunal. (X)

As autoridades francesas intensificaram a investigação sobre a atuação da plataforma X, controlada pelo empresário Elon Musk. Nesta terça-feira (3/2), a sede da empresa na França foi alvo de uma operação conduzida pela unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público de Paris, em conjunto com a polícia nacional especializada e a Europol. A apuração agora vai além da suposta manipulação de algoritmos e passa a incluir a disseminação de imagens de abuso infantil e deepfakes de conteúdo sexual.

Segundo comunicado oficial do Ministério Público de Paris, a operação envolve buscas e a convocação de Musk e da ex-CEO da empresa, Linda Yaccarino, para prestar esclarecimentos de forma voluntária. Ambos foram chamados na condição de responsáveis legais e operacionais pela plataforma no período sob investigação. Yaccarino deixou o comando do X em julho do ano passado, mas, de acordo com os procuradores, exercia papel central durante parte dos fatos analisados.

A investigação francesa teve início em janeiro de 2025, após uma denúncia apresentada pelo deputado Éric Bothorel, do campo de centro-direita. O parlamentar alegou que mudanças recentes nos algoritmos do X poderiam ter distorcido o funcionamento do sistema automatizado de processamento de dados da plataforma, afetando de forma indevida a recomendação e a visibilidade de determinados conteúdos. Desde então, o escopo do inquérito foi ampliado.

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De acordo com os investigadores, há suspeitas de “conivência” da plataforma em uma série de infrações digitais. Entre elas estão a circulação de material de abuso sexual infantil, a propagação de deepfakes sexualmente explícitos, a negação de crimes contra a humanidade e a manipulação de sistemas automatizados de dados no contexto de uma atuação organizada. As autoridades francesas avaliam se o desenho e os ajustes algorítmicos do X podem ter contribuído para a amplificação desse tipo de conteúdo.

O debate sobre o papel dos algoritmos ganhou força após a aquisição do então Twitter por Elon Musk, em 2022. Desde a mudança de controle, críticos na França e em outros países europeus apontam uma alteração significativa na moderação e na priorização de conteúdos. Segundo relatos que constam no processo, essas mudanças teriam provocado um aumento expressivo de publicações políticas extremadas e material considerado nocivo por reguladores e organizações civis.

Informações do The Guardian dão conta de que a apuração também passou a incluir questionamentos sobre o funcionamento do chatbot de inteligência artificial Grok, desenvolvido pelo X. Denúncias apresentadas às autoridades francesas afirmam que o sistema teria produzido respostas envolvendo negação do Holocausto e disseminado deepfakes de caráter sexual. Esses episódios reforçaram a decisão dos procuradores de ampliar a investigação para além da lógica algorítmica da rede social.

X rejeita acusações

Em manifestações anteriores, o X rejeitou as acusações e classificou o inquérito como politicamente motivado. A empresa afirmou, no ano passado, que não pretendia atender a determinadas exigências das autoridades francesas relacionadas à investigação. Na ocasião, a plataforma negou qualquer manipulação algorítmica ou prática de extração fraudulenta de dados, sustentando que o processo estaria sendo usado para restringir a liberdade de expressão.

A companhia também declarou que vê a investigação como uma interpretação distorcida da legislação francesa, com potencial impacto sobre direitos fundamentais e sobre a proteção de dados dos usuários. Até o momento da operação em Paris, o X não havia se pronunciado oficialmente sobre as buscas realizadas nem sobre as novas convocações para depoimento.

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