
Mais de 1,4 mil funcionários da Salesforce assinaram uma carta pedindo ao CEO Marc Benioff que interrompa possíveis negociações da companhia com o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), agência federal de imigração dos Estados Unidos. A informação foi revelada pela CNBC, que teve acesso ao documento e ouviu pessoas familiarizadas com a iniciativa.
Segundo a carta, os colaboradores demonstram preocupação com reportagens recentes que indicam apresentações de tecnologias de inteligência artificial da Salesforce ao ICE. As soluções teriam sido propostas para acelerar a contratação de até 10 mil novos agentes e apoiar a triagem de denúncias recebidas pela agência.
Os signatários solicitam o cancelamento de “todas as negociações ativas ou oportunidades” relacionadas ao ICE e pedem que a empresa publique um posicionamento público sobre o uso de agentes mascarados em cidades americanas. O grupo também solicita maior transparência sobre o escopo das relações comerciais com o órgão governamental e a suspensão de serviços que possam ampliar a capacidade operacional da agência, incluindo infraestrutura e sistemas de IA.
Comentário do CEO amplia tensão interna
A mobilização ganhou força após declarações do próprio Benioff em um evento interno realizado em Las Vegas. Durante uma apresentação, o executivo fez uma brincadeira sugerindo que agentes do ICE estariam monitorando funcionários internacionais, o que gerou indignação entre colaboradores e críticas públicas de equipes internas, inclusive lideranças da Slack, empresa pertencente à Salesforce, que pediram um pedido de desculpas formal. As informações foram publicadas pelo The Guardian.
Além disso, relatos citados pela CNBC indicam que comentários semelhantes feitos pelo CEO em um encontro de funcionários provocaram debates em fóruns internos da companhia e ampliaram o clima de insatisfação entre equipes.
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A mobilização ocorre em meio ao aumento das críticas de profissionais de tecnologia ao uso de soluções corporativas por órgãos de imigração dos EUA. O movimento ganhou força após a morte de dois cidadãos americanos durante uma ação do ICE em Minnesota, em janeiro, episódio que ampliou o debate sobre o papel das empresas de tecnologia em operações governamentais.
Em um documento complementar à carta, os funcionários afirmam que produtos da Salesforce podem estar sendo usados para ampliar a capacidade de recrutamento e operações do ICE. O material cita ainda uma reportagem do The New York Times, publicada em outubro, segundo a qual a empresa descreveu seu software como uma “plataforma ideal” para recrutamento de agentes em resposta a uma solicitação de informações do governo.
Até a publicação desta reportagem, a Salesforce não havia comentado oficialmente o caso.
Contexto de mercado e pressão externa
A pressão interna ocorre em um momento de desafios para a companhia no mercado financeiro. Investidores avaliam os impactos da popularização de modelos de IA sobre o crescimento das empresas de software, e as ações da Salesforce acumulam queda aproximada de 27% em 2026 até o momento. Em dezembro, a empresa destacou parcerias com o governo dos EUA e projetou crescimento anual entre 9% e 10%.
O movimento dos funcionários da Salesforce segue iniciativas semelhantes em outras empresas do setor. Na semana anterior, cerca de 900 colaboradores do Google solicitaram que a companhia se desvinculasse de contratos com o ICE e com a U.S. Customs and Border Protection. Executivos de tecnologia, incluindo o CEO da Apple, Tim Cook, também criticaram publicamente ações recentes da agência em confrontos com manifestantes.
Os organizadores pretendem enviar oficialmente a carta ao CEO, Marc Benioff, até sexta-feira (13), segundo documentos obtidos pela CNBC. No texto, os funcionários destacam que a empresa já se posicionou em temas sociais anteriormente e pedem que a liderança utilize sua influência para defender direitos constitucionais e a segurança das comunidades afetadas pelas políticas de imigração.
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