
A biotech brasileira Moondo abriu uma rodada pública de captação de R$ 4,28 milhões por meio da EqSeed para expandir sua produção de couro em laboratório. A oferta já está disponível na plataforma, que funciona como uma fintech marketplace que conecta investidores a startups e empresas privadas em rodadas de estágios iniciais.
A startup desenvolve couro legítimo por meio de cultivo celular, sem necessidade de criação ou abate de animais. A proposta é atender, inicialmente, o mercado de alto luxo, segmento que consegue absorver os custos iniciais da biotecnologia e viabilizar a escala industrial.
Dos recursos captados na rodada, 80% serão destinados à estruturação da infraestrutura laboratorial, enquanto 10% irão para marketing e propriedade intelectual e outros 10% para contrapartidas em projetos de subvenção econômica. Com o aporte, a startup pretende montar seu próprio laboratório, consolidar sua plataforma tecnológica e avançar na validação comercial do produto junto a marcas do mercado de luxo.
Segundo a empresa, a tecnologia parte da extração de fibroblastos da pele, que passam a produzir colágeno em biorreatores. A partir desse processo, é formada uma derme estruturada que, após um curtimento vegetal proprietário, resulta em um material com propriedades mecânicas comparáveis às do couro tradicional.
A Moondo afirma ser a primeira empresa da América Latina — e uma das pioneiras no mundo — a desenvolver couro legítimo a partir de cultivo celular. A startup já isolou linhagens celulares bovinas com alta capacidade de produção de colágeno, criou protocolos próprios de estruturação 3D e validou, em laboratório, características mecânicas semelhantes às da derme animal.
Dentro do mercado de luxo, a startup identificou oportunidades em aplicações que hoje utilizam couros exóticos, cujo valor pode ultrapassar US$ 600 por metro quadrado. De acordo com dados de mercado levantados pela própria empresa, o setor global de couro movimentou cerca de US$ 304,8 bilhões em 2024 e pode chegar a US$ 376 bilhões até 2029. O Brasil, atualmente, ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores do mundo.
Além da oportunidade econômica, a tese da startup é impulsionada pela crescente pressão ambiental sobre a cadeia tradicional do couro. A produção convencional pode envolver até 170 substâncias químicas e alto consumo de água — estimativas indicam que uma bolsa de couro bovino pode demandar mais de 17 mil litros de água ao longo de toda a cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, apenas 12% das marcas afirmam conhecer a origem real da matéria-prima utilizada, segundo o Fashion Transparency Index.
A Moondo foi fundada em 2022 pela engenheira de materiais Lorena Viana e a física Aline Bruna da Silva, inicialmente para produzir carne de peixe, como spin-off corporativa da Pif Paf Alimentos. Em 2023, elas chegaram a produzir um pequeno pedaço de filé de frango em laboratório, em conjunto com pesquisadores da UFMG. Atualmente, o foco da startup está na produção de couro cultivado.
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