
A ONEVC chega ao seu terceiro fundo apostando naquilo que, segundo a gestora, foi decisivo para atrair uma base mais institucional de investidores: a consistência da tese ao longo do tempo. Com US$ 50 milhões levantados para o Fundo 3, a casa manteve a mesma estratégia de portfólio concentrado, foco em pré-seed e seed e suporte próximo aos fundadores — um posicionamento que, para o general partner Rodrigo Cartolano, ajudou a construir credibilidade com novos LPs em um momento ainda desafiador para captação no mercado local.
Em entrevista ao Startups, Rodrigo afirma que esse modelo de fundos com menos empresas e mais tempo dedicado a cada fundador foi um dos principais pontos de atração de novos investidores. O fundo anterior investiu em 24 startups e a ideia é que o novo veículo de investimentos siga nessa média, com cheques entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões.
O processo de institucionalização foi gradual. No primeiro fundo, a base de LPs era formada majoritariamente por pessoas físicas. No segundo, passaram a entrar investidores mais sofisticados. Agora, no terceiro veículo, a gestora passa a contar com uma base majoritariamente institucional, com investidores vindos dos Estados Unidos, Europa, Ásia e Brasil.
Entre os novos LPs está a Spectra, gestora brasileira de investimentos alternativos, que entrou com cerca de 10% do total captado pelo novo fundo. Além disso, cerca de um terço do fundo é ancorado por uma instituição sem fins lucrativos nos Estados Unidos, e que hoje tem a ONEVC como a única gestora de venture capital da América Latina em seu portfólio.
“A gente não mudou a nossa estratégia ao longo do tempo e os investidores que vêm nos acompanhando sabem dessa consistência. Esse tem sido o principal ponto nas conversas com os LPs”, afirma Rodrigo.
Segundo o general partner, o suporte ao founder é o que tem permitido à ONEVC participar de rodadas competitivas, garantindo os melhores retornos aos investidores. “A gente está num mercado em que os melhores fundadores têm capacidade de escolher com quem querem trabalhar. Nesse sentido, os fundos precisam agregar alguma coisa que vá além do capital. Nosso perfil hands on tem nos ajudado a ganhar esses deals”, aponta.
Como parte de consolidação dessa estratégia, a ONEVC anunciou também a promoção de Carla Barone, ex-head de portfolio support da gestora, à posição de partner.
Hoje, a tese da ONEVC é setorialmente agnóstica, mas o histórico mostra um recorte bem definido. Cerca de 75% dos investimentos são em startups B2B, mais de 50% em fintechs e, nos últimos dois anos, com um avanço significativo de empresas que usam inteligência artificial como parte central do produto.
A distribuição geográfica também permanece a mesma: aproximadamente 80% dos investimentos estão no Brasil e 20% na América Latina ou em startups fundadas por latino-americanos que empreendem nos Estados Unidos.

Novo perfil de founder
Como a gestora investe muito cedo, o time fundador segue sendo o principal critério de decisão. “No estágio em que a gente investe, você ainda tem muito pouco histórico. Então, a variável mais importante é quem é o time.”
O próprio perfil desses fundadores, porém, vem mudando. Para Rodrigo, o mercado passou a valorizar menos o currículo tradicional e mais a capacidade técnica e de execução.
“Está surgindo uma geração de fundadores muito mais jovens, muitas vezes saindo direto da faculdade, com perfil técnico. Nem sempre fazem o pitch mais redondo, mas o mercado está mudando a forma de avaliar o founder”, pondera.
Esse movimento é impulsionado também pela popularização de ferramentas de inteligência artificial, que aceleraram o desenvolvimento de produtos e reduziram drasticamente o custo de prototipagem.
“Hoje, você consegue mostrar um protótipo que já funciona. Antes, precisava de um time maior e muito mais tempo. Agora, existem startups praticamente bootstrapped, quase sem equipe. Levantar dinheiro continua sendo uma das principais tarefas do CEO no começo da companhia. Mas ficou mais fácil provar, com números e produto, o que você quer construir”, diz.
Para Rodrigo, o momento de mercado é favorável para investir, não apenas pelas novas oportunidades trazidas pela IA, mas pela maior maturidade do ecossistema brasileiro, que já começa a ter gerações de founders de segunda viagem. É o caso de Patrick Sigris, por exemplo, fundador do iFood e da Nomad, que em agosto do ano passado levantou R$ 35 milhões para sua nova empreitada, a IORQ, fintech de “credit-as-a-service”. A ONEVC foi uma das investidoras.
Outro exemplo é a Tako, plataforma de IA fundada por Fernando Gadotti, fundador da DogHero, e Sebastian Mejía, cofundador da Rappi. A startup levantou R$ 100 milhões no ano passado, em uma Série A liderada pela Ribbit Capital, com participação de a16z e ONEVC.
“A gente, como fundo, está começando a surfar essa onda pela própria fase de vida da gestora. Estamos vendo empresas com saída e fundadores voltando para empreender — e escolhendo trabalhar de novo com a gente”, comemora.
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