
A Lebane, sistema de gestão que atua como um assistente de construção para o desenvolvimento imobiliário, acaba de fechar uma rodada seed de US$ 4 milhões. O capital será usado para acelerar a expansão regional e dar os primeiros passos da empresa como plataforma financeira voltada a construtoras e incorporadoras.
A rodada foi liderada pelo Atlantico, fundo de origem brasileira focado em empresas de tecnologia na América Latina. Também participaram investidores da região e dos Estados Unidos, como Zacua Ventures, Fen Ventures, ADN.vc e a Galicia Ventures, braço de venture capital do Banco Galicia.
O investimento se apoia em um problema recorrente no setor imobiliário da região: projetos de alto valor financeiro ainda operam com baixa digitalização e pouca visibilidade de dados. Segundo a Lebane, esse descompasso entre escala e gestão cria espaço para a sua solução – e ajuda a explicar o interesse dos investidores.
“O que vemos são empresas gerenciando milhões com Excel. Sem dados em tempo real do canteiro de obras, qualquer desvio vira perda de dinheiro. Às vezes são impostos pagos fora do prazo, multas ou falta de material na obra”, afirma Lucas Glustman, CEO e cofundador da proptech.
Ele defende que a falta de centralização e rastreabilidade dificulta decisões rápidas e precisas, especialmente em um setor em que pequenas variações de custo podem comprometer a rentabilidade de todo o projeto.
Nesse contexto, a Lebane desenvolveu um sistema de gestão apoiado por inteligência artificial que atua como um assistente quantitativo e qualitativo para incorporadoras e construtoras. Lançada em 2024, a plataforma centraliza o controle financeiro e operacional dos empreendimentos, automatiza processos intensivos em tempo e permite acompanhar o andamento dos projetos em tempo real, inclusive via WhatsApp.
A proposta é oferecer mais previsibilidade, rastreabilidade e controle de custos aos desenvolvedores, ajudando a reduzir ineficiências e perdas de rentabilidade em um setor historicamente pouco digitalizado.
“A Lebane está atacando um dos setores mais relevantes e menos digitalizados da América Latina”, afirma Ana Clara Martins, sócia do fundo Atlantico. Segundo ela, o que mais chamou a atenção do fundo foi o nível de product-market fit, com clientes relatando ganhos claros de produtividade, maior visibilidade financeira e disposição para pagar mais pelo produto.
“Acreditamos que a combinação de um mercado grande e pouco atendido, um produto já validado e um time com muita energia e senso de urgência posiciona a Lebane para se tornar a principal plataforma de software e infraestrutura financeira para o setor imobiliário na região”, diz Ana.
Mercados prioritários
Embora mantenha operações consolidadas na Argentina, onde foi fundada, a empresa deve direcionar o novo capital principalmente ao México. A decisão veio após sinais claros de aderência do produto ao mercado local.
“Temos entre 50 e 60 clientes no México e vimos que o problema que resolvemos é exatamente o mesmo”, diz Lucas. Segundo ele, o mercado mexicano é maior que o argentino, o que amplia o potencial de escala. A estratégia é aprofundar a presença local e acelerar o desenvolvimento do produto adaptado à realidade do país.
Nesse movimento de expansão, o Brasil aparece como um próximo passo natural. Com um fundo brasileiro liderando a rodada, o país já está no radar da empresa, embora ainda não seja prioridade.
“Somos uma empresa de foco. Primeiro queremos ser muito bons na Argentina e no México. Quando isso estiver rodando quase no automático, o Brasil será uma das próximas prioridades”, explica o CEO.
Nova fase do produto
Para Lucas, o principal diferencial da Lebane está na forma como a tecnologia chega ao usuário final. Em vez de exigir que engenheiros, gestores ou fornecedores aprendam a usar sistemas complexos, a plataforma opera diretamente pelo WhatsApp.
“Você pode subir uma nota fiscal, criar um orçamento ou consultar números direto pelo WhatsApp. Em menos de 10 segundos, recebe respostas como quanto vai receber no próximo mês, quanto precisa pagar ou qual é o custo por metro quadrado”, afirma o executivo. A proposta é automatizar fluxos e reduzir a dependência de ligações, e-mails e reuniões internas para entender a situação financeira e operacional de um projeto.
Atualmente, a Lebane se prepara para o lançamento de serviços financeiros – movimento que, segundo a empresa, vai além de adicionar funcionalidades. A ambição é transformar a startup em uma espécie de banco para construtoras. “Estamos falando de pagamentos, recebimentos, rendimento de saldo em conta e financiamento. Desde antecipação para fornecedores até crédito ligado a contratos já assinados”, diz o fundador.
A plataforma pretende usar os dados operacionais dos clientes para avaliar risco e oferecer melhores condições de financiamento. “Vamos conseguir criar um score próprio, porque vemos tudo em tempo real”, conclui.
Com os avanços, a meta é crescer o faturamento recorrente anual entre três e quatro vezes, aumentar a taxa de retenção líquida em mais de 30%, além de manter a eficiência financeira da operação.
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