
A Backstage, assessoria estratégica de conteúdo especializada no posicionamento digital de executivos, faturou R$ 2 milhões em 2025 e agora projeta dobrar esse valor até o fim de 2026, com expectativa de alcançar R$ 4 milhões em receita.
Fundada por Juliano Marchesine em 2022, a empresa nasceu da percepção de que o mercado passava por um movimento de personificação das marcas, no qual a voz da liderança se tornava um ativo central para geração de negócios.
Apesar da forte conexão com o ecossistema de startups e do acesso a mentores e investidores, a Backstage cresceu sem recorrer a investimentos externos e mantém operação 100% bootstrapped desde o início, sendo estruturada para se sustentar com a própria geração de caixa e nunca tendo realizado rodadas de captação.
“Como fornecemos serviço, nunca precisamos produzir um produto físico, efetivamente, a gente sempre gerou caixa. Ou seja, a gente nunca precisou colocar dinheiro dentro da empresa. Não somos contra a captação de recursos, só nunca tivemos match com algum modelo de investimento que fizesse sentido”, explica o fundador ao Startups.
Incubada pelo Insper e com forte conexão ao ecossistema da Link School of Business — onde o fundador também atua como professor — a Backstage optou por crescer de forma vertical, com uma carteira mais enxuta e personalizada de clientes, priorizando inteligência estratégica e customização em vez de escala massiva.
“Nós tivemos o privilégio de estar dentro de um ecossistema muito bacana. Eu tenho mentores excepcionais em ambas as escolas e acesso a clientes legais. Hoje, nós temos cerca de 40 clientes e somos mais B2B. Eu tenho uma quantidade significativa de clientes que são B2C, mas são a menor parte da minha carteira”, comenta Juliano.
Ainda de acordo com o profissional, mesmo quando o contrato envolve apenas o perfil de um executivo — como o LinkedIn de um CEO —, quem normalmente arca com o investimento é a própria empresa. Isso porque, na prática, a principal beneficiada pelo posicionamento é a companhia, que passa a utilizar a liderança como um canal estratégico de comunicação e geração de negócios.
Embora ainda exista certo estigma no mercado em relação a investir na imagem de uma pessoa física, a lógica por trás do trabalho é corporativa: fortalecer reputação, atrair stakeholders e abrir novas frentes comerciais.
Hoje, o perfil mais comum atendido pela Backstage são companhias com faturamento anual entre R$ 20 milhões e R$ 80 milhões, em que a figura do líder ainda é central na operação e nas decisões estratégicas. Em empresas menores dentro desse intervalo, o trabalho costuma se concentrar exclusivamente no CEO. Já em organizações mais estruturadas, a estratégia pode envolver múltiplos C-levels e diretores.
Na prática, o trabalho começa com um mês de implementação, período em que a equipe mergulha no mercado, na empresa e no histórico do executivo para estruturar sua marca pessoal. A partir daí, a Backstage define o posicionamento e objetivos, alinhando comunicação com áreas como marketing e compliance.
Depois disso, é feito um trabalho contínuo de planejamento, produção e gestão de conteúdo — seja texto, vídeo ou outros formatos — além de interação nas redes quando necessário. A cada trimestre, a estratégia é revisitada com base em métricas e resultados, garantindo ajustes finos no discurso e na abordagem.
O foco, segundo o fundador, não é “transformar o executivo em influenciador”, mas usar sua voz como um ativo estratégico. “O nosso cliente padrão não quer virar influencer. Ele não é a pessoa que quer vender publicidade no Instagram dele ou a pessoa que vai ter um infoproduto para vender ali dentro. Ele quer, de fato, se posicionar para gerar negócio para a companhia”, finaliza.
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