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Um grande letreiro tridimensional com a palavra “NETFLIX” em letras vermelhas está instalado sobre uma estrutura metálica elevada. O céu ao fundo exibe tons de azul, cinza e laranja, sugerindo um pôr do sol ou amanhecer, enquanto a iluminação realça as letras vermelhas brilhantes do logotipo.

A disputa pelo controle da Warner Bros.Discovery tem agora novos contornos. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Netflix tem fôlego financeiro para elevar sua proposta caso a rival Paramount Skydance apresente uma oferta superior nos próximos dias.

Atualmente, a Netflix propôs US$ 27,75 por ação, o equivalente a US$ 82,7 bilhões, focando nos ativos de estúdio e streaming da Warner, incluindo a operação do HBO Max. Já a Paramount colocou na mesa US$ 30 por ação, cerca de US$ 108,4 bilhões, para a totalidade do grupo, que abrange também os canais reunidos na Discovery Global, como CNN e HGTV.

Apesar do valor mais elevado da proposta da Paramount, o conselho da Warner segue recomendando o acordo com a Netflix e mantém previsto para 20 de março o voto dos acionistas sobre essa transação. Ainda assim, concedeu à concorrente prazo até 23 de fevereiro para apresentar uma oferta considerada “final e definitiva”.

Caixa robusto e flexibilidade financeira

De acordo com as fontes, a Netflix dispõe de margem para reagir. A companhia encerrrou dezembro com cerca de US$ 9 bilhões em caixa e equivalentes, o que lhe daria flexibilidade para melhorar os termos, se necessário. A estrutura do acordo também permite que a Netflix iguale eventual proposta superior feita pela Paramount.

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A briga envolve um portfólio estratégico, que inclui franquias globais como Harry Potter, Game of Thrones, o universo DC e personagens como Superman — ativos que reforçam não apenas o catálogo de streaming, mas também potencial de licenciamento, games e produções derivadas.

Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que, embora a Netflix esteja em posição confortável neste momento, o fator preço pode ser determinante. Há também preocupações do conselho da Warner em relação à estrutura de financiamento e ao risco regulatório associados à proposta da Paramount.

Tensões no conselho e riscos da Paramount

Na última semana, a Paramount chegou a sugerir um valor informal de US$ 31 por ação, o que levou o conselho da Warner a abrir espaço para negociações. Mesmo assim, a proposta formal mais recente foi rejeitada.

Entre os pontos sensíveis levantados pela Warner estão incertezas sobre taxas relacionadas a financiamentos, possíveis custos adicionais de US$ 1,5 bilhão em determinadas estruturas de dívida e dúvidas sobre a robustez do capital próprio prometido por investidores liderados por Larry Ellison. A Paramount também se comprometeu a arcar com a multa de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de pagar à Netflix caso desistisse do acordo atual, mas isso não foi suficiente para alterar a recomendação do conselho.

Em carta enviada ao conselho da Paramount, o presidente da Warner, Samuel DiPiazza Jr., e o CEO David Zaslav reforçaram o compromisso com a transação já acordada com a Netflix.

Próximos passos da disputa

A Paramount afirmou que continuará promovendo sua oferta pública e pretende indicar candidatos ao conselho da Warner na próxima assembleia anual. O embate agora depende de eventual nova proposta até o prazo estipulado.

O cenário é acompanhado de perto por investidores do setor de mídia e telecom, uma vez que a combinação entre Netflix e ativos centrais da Warner redesenharia o mercado global de streaming e produção audiovisual. Caso a Paramount eleve sua proposta, a expectativa é de que a Netflix responda, intensificando uma disputa que já mobiliza bilhões de dólares e redefine alianças na indústria do entretenimento.

Segundo a Reuters, o desfecho dependerá do valor final atribuído pelos acionistas aos diferentes ativos envolvidos, especialmente ao negócio de redes de TV que ficaria fora do escopo da proposta da Netflix, além da avaliação sobre riscos regulatórios e de financiamento.

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