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Matheus Dellagnelo, CEO Américas da Indicium AI, e Kelly Manthey, CEO Global da Indicium AI | Foto: Divulgação
Matheus Dellagnelo, CEO Américas da Indicium AI, e Kelly Manthey, CEO Global da Indicium AI | Foto: Divulgação

Cerca de 10 a 15 anos atrás, o termo da moda nas grandes empresas era a transformação digital a partir da cloud. Nessa corrida, consultorias como EY, PwC e Accenture se destacaram como parceiros no processo. Contudo, agora a corrida é outra, e em um cenário onde as enterprises querem aproveitar o potencial da inteligência artificial para crescer, a Indicium quer ser esse parceiro de preferência.

Para cumprir esse objetivo, a catarinense Indicium concluiu a sua fusão com a britânica Mesh AI, anunciada aqui no Startups em novembro passado. A partir disso, nasce a marca Indicium AI, consultoria de alcance global, com operações consolidadas na América do Sul, Europa e também nos Estados Unidos, onde a companhia quer acelerar agressivamente os seus negócios.

Para o CEO Américas da Indicium AI, Matheus Dellagnelo, o diferencial da empresa será o de se estabelecer como uma consultoria líder em estratégia de dados e IA, cobrindo o ciclo completo de “transformação por AI”, combinando engenharia de ponta, frameworks proprietários e parcerias com líderes tecnológicos para atender empresas de grande porte, nível Fortune 500.

Com esta proposta, a companhia já nasce com 50 grandes contas na sua carteira de clientes, incluindo nomes como Bayer, Burger King, PepsiCo, Roche, Experian, National Grid e EDF Energy. Segundo Matheus, os projetos de IA entregues a estes clientes nos últimos anos já geraram mais de US$ 1 bilhão em redução de custos e mais de US$ 235 milhões em novas receitas.

Com as operações alinhadas – Matheus cuidando da região Américas, o CEO da Mesh-AI Jacob Parsons cuidando da região Europa, e Kelly Mantheys (ex-CEO da Kin + Carta) assumindo o posto de CEO Global – a Indicium planeja passos ainda mais agressivos.

“Passamos os últimos meses alinhando processos e tecnologias, e agora estamos terminando de validar o modelo que vislumbramos antes da fusão. Com a nova estrutura, nos vemos acelerando bastante em todos os mercados, inclusive dentro das 50 contas globais que já temos, atuando em mais regiões ou ampliando nosso portfólio de soluções”, avalia Matheus, em conversa com o Startups.

Além disso, é claro, a Indicium AI quer buscar novos clientes para sua base, e a maior parte desses esforço se concentrará nos Estados Unidos. Em 2024, antes de fusão, a consultoria mudou sua sede para Nova York, já de olho nessa expansão, e agora a meta é ocupar ainda mais este espaço.

Mesmo com esses movimentos, a operação brasileira da Indicium AI ainda é a mais volumosa, e segue em expansão. “A empresa está com 27 vagas abertas e seguirá investindo em talentos, treinamentos e desenvolvimento de carreira, criando oportunidades para profissionais brasileiros que queiram atuar em desafios complexos e de alto impacto em Dados & IA, em escala global”, destacou a companhia, em nota.

Apesar de não abrir números de faturamento, a Indicium AI tem planos de crescer 67% este ano – no ano passado, Indicium e Mesh-AI fecharam o período com um crescimento combinado de 53%. De acordo com Matheus, os Estados Unidos serão o grande catalisador dessa expansão. “Será o nosso mercado de maior crescimento, sem dúvida. Estamos falando de um percentual bem acima de 100%”, revela.

Parceiros e planos

Apesar de se posicionar como uma consultoria agnóstica em termos de soluções, trabalhando com nomes como AWS, OpenAI e Microsoft em seu “cardápio” de tecnologias, a Indicium tem dois grandes parceiros-chave para crescer: Databricks e Anthropic. Inclusive, a Databricks Ventures chegou a fazer no ano passado um investimento (de valor não aberto) na Indicium.

“A gente gosta de dizer que é agnóstico com opinião. Antes mesmo de receber o investimento da Databricks, já trabalhávamos com a ferramenta como nossa primeira escolha em plataforma de dados. Com o investimento, a gente só uniu o útil ao agradável. Temos outras opções, damos escolha ao cliente, mas é fato que Databricks é nosso principal parceiro em dados e a Anthropic na parte de modelos”, admite.

Perguntado sobre possíveis captações para acompanhar este novo posicionamento e sprint de crescimento, Matheus revelou que este plano não está na mesa, pelo menos não neste momento.

“Esse ano, e possivelmente ano que vem, são anos de botar a cabeça pra baixo, executar, crescer e fazer acontecer o que a gente colocou no papel. É claro que continuamos antenados no que acontece no mercado, mas não tem plano de captação agora, até porque a gente tem condições financeiras de executar o roadmap que previmos”, destaca.

Vale lembrar que a nova operação também tem o apoio da Columbia Capital, que já era investidora da Mesh-AI e liderou uma série A de US$ 40 milhões na Indicium em 2023. O fundo deu suporte ao processo de fusão entre as duas consultorias.

Concorrendo com “transatlânticos”

Agora de volta ao assunto inicial desta matéria, Matheus admite que o modelo da Indicium AI remete ao das grandes consultorias de transformação digital, agora sob um viés focado em IA. Contudo, ele ressalta que as tais consultorias, com milhares de pessoas em sua força de trabalho, tem um grande desafio pela frente ao adequar suas operações a uma nova realidade de mercado.

“Hoje temos um porte em que o mercado já nos vê como um player representativo, mas não tão grande como nossos concorrentes que estão precisando ‘virar um transatlântico’ para essa nova realidade. Já temos uma estrutura operacional 100% AI-driven, temos uma agilidade e eficiência que as grandes consultorias vão levar anos para conseguir”, pontua.

Além disso, a parceria com gigantes hypados como Databricks e Anthropic também estão contando a favor da consultoria. Segundo o CEO Américas da Indicium AI, diversos clientes chegam por meio dessas parcerias.

“Estamos numa posição bastante vantajosa nesse momento, não vou negar”, dispara o executivo.

O post Indicium AI conclui fusão para ser consultoria global nº1 em IA apareceu primeiro em Startups.