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Edu Camargo e Rodrigo Maroja, fundadores da Mauna | Foto: Divulgação
Edu Camargo e Rodrigo Maroja, fundadores da Mauna | Foto: Divulgação

Depois de anos trabalhando com formação de executivos e empreendedores, Edu Camargo, ex-coordenador da Link School of Business, e Rodrigo Maroja, um dos fundadores da Daki, decidiram criar um programa para ajudar quem tem o sonho de empreender, mas não sabe por onde começar. A iniciativa se chama Mauna e tem o objetivo de atuar justamente em uma das etapas mais desafiadoras da trajetória empreendedora, que é a transição de um projeto de carreira para a criação de um negócio.

Na visão dos fundadores, hoje o mercado oferece produtos para quem quer se desenvolver na carreira corporativa ou para quem já está empreendendo e precisa acelerar um negócio em andamento. No entanto, não existe um “produto de transição” entre esses dois mundos. “A gente gosta muito desse perfil de pessoa que tem vontade de empreender, mas ainda não tem uma ideia clara do que fazer”, explica Edu, em entrevista ao Startups.

A lógica do programa parte do mapeamento das habilidades individuais, da rede de contatos, dos interesses pessoais e das ambições de vida de cada participante para, a partir disso, estruturar e filtrar ideias. O objetivo não é apenas escolher um projeto, mas também descartar oportunidades que não fazem sentido do ponto de vista de mercado, concorrência, margem e retorno financeiro.

“Tão importante quanto decidir qual ideia seguir é decidir quais ideias a gente vai jogar fora”, ressalta Edu. “A gente não acredita na romantização do empreendedorismo. Empreender é uma jornada dura. Só faz sentido se atender às pretensões daquela pessoa”.

Ao longo do programa, os participantes são estimulados a testar rapidamente hipóteses, calcular tamanho de mercado, projetar faturamento e avaliar se o negócio realmente conversa com o estilo de vida que desejam ter.

Os fundadores contam que, em um dos casos analisados por eles, uma empresa, mesmo dominando 100% do mercado disponível, chegaria a R$ 10 milhões de faturamento por ano. Segundo eles, o empreendedor teria no final uma margem de 10%, ou seja, R$ 1 milhão por ano, o que acabou se mostrando pouco atraente. “Se a pessoa já ganha quase isso no emprego, não faz muito sentido se jogar numa jornada tão difícil”, aponta Edu.

Para os criadores da Mauna, o ecossistema brasileiro ainda oferece poucas alternativas para quem quer construir empresas sólidas, ainda que não necessariamente bilionárias. Por isso, a ideia é abrir espaço para diferentes perfis de empreendedores — inclusive aqueles que buscam negócios mais previsíveis e sustentáveis, e não apenas trajetórias orientadas a venture capital.

Inscrições abertas

O formato do programa combina conteúdo, prática, comunidade e acompanhamento próximo, em um modelo que se aproxima de uma pré-aceleradora. A duração é de seis meses de atividades intensivas, seguidos por mais seis meses de mentorias. Ao final, os participantes apresentam seus negócios em um pitch day para investidores. A expectativa é formar entre 15 e 50 participantes por turma. As inscrições ao público serão abertas a partir desta quarta-feira (25).

A empresa pretende abrir mais uma ou duas turmas ainda neste ano, mas prioriza, neste primeiro momento, a qualidade da operação antes de escalar.

Outro ponto central do projeto é a curadoria de mentores. A Mauna decidiu trabalhar apenas com empreendedores que já construíram empresas na prática.

Além dessa iniciativa de aceleração e mentorias, a Mauna está estruturando um fundo de investimento para apoiar os projetos formados dentro do programa. A estrutura ainda não está fechada, mas o mandato será de investimento em participações, combinando capital próprio com recursos captados no mercado.

“Jornada não é glamourosa”

O nome da empresa foi inspirado na Mauna Kea, no Havaí, considerada a montanha mais alta do mundo quando medida a partir de sua base no fundo do oceano.

Para os fundadores, o simbolismo é direto. “Mais de 60% da montanha fica abaixo do nível do mar. E é exatamente assim no empreendedorismo”, diz Edu. “A maior parte da jornada não vai aparecer na capa de revista, não é bonita e não é glamourosa. Vai ser difícil, vai doer, e está tudo bem.”

A escolha do nome também reforça a ideia de que não existe um único topo a ser alcançado. “O empreendedorismo não é sobre chegar no Everest. É sobre qual é a maior montanha para você”, afirma. “Qual é o seu topo. Ele não precisa ser bonito e nem estar nos holofotes.”

O post Fundador da Daki se une a ex-Link para formar empreendedores apareceu primeiro em Startups.