
Provedores de serviços de tecnologia da informação que reformularem ofertas, modelos de entrega, equipe e adotarem precificação baseada em valor poderão crescer entre 8% e 10% ao ano, manter ou ampliar margens, e multiplicar múltiplos de receita entre três e 3,5 vezes. O cálculo faz parte de um relatório da Bain & Company adiantado com exclusividade ao IT Forum, e que considera sobretudo o impacto da inteligência artificial.
“A IA e outras mudanças estruturais estão redesenhando o mapa de crescimento do setor. A próxima geração de líderes será formada por aqueles que repensarem sua estratégia usando uma abordagem de ‘micro-batalhas’, aproveitarem a IA para transformar processos e migrarem para um modelo de entrega baseado em plataforma e geração de valor”, diz em comunicado Luis Díez, sócio e líder da prática de tecnologia corporativa da Bain na América do Sul.
Segundo ele, as empresas estão em um momento decisivo, e será preciso promover a atração de novos talentos e uma cultura capaz de “capturar plenamente o valor dessa transformação”, diz.
Por outro lado, a Bain indica que, se mantiverem a abordagem tradicional, as empresas podem perder de 5 a 7 pontos percentuais de margem, com queda de 45% a 50% do valor da empresa. Além disso, se continuarem operando com uma mentalidade de “fazer sempre o mesmo” correm o risco de ter sua receita reduzida em 30% ou mais, diz a consultoria.
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IA, mas não só
A consultoria diz que, embora a IA seja “o maior fator de disrupção” atual para serviços de tecnologia, não é a única. Protecionismo econômico, envelhecimento da população e transição energética também estão forçando mudanças. São transformações que desafiam, mas também trazem oportunidades, diz.
Áreas como operações de dados, modernização de sistemas e design de chips ganham importância, além da modernização de plataformas legadas. Os modelos “IA-first”, segundo a Bain, “redefinem como as organizações gerenciam processos e operações, criando uma nova onda de demanda por transformações habilitadas por tecnologia”.
Recomendações
Para aproveitar essa transformação, a Bain recomenda que as empresas de serviços de tecnologia reformulem seus posicionamentos estratégico e operacional. E uma abordagem de “micro-batalhas” direcionadas, combinando setores, geografias e temas prioritários de gasto, além de desenvolver soluções multisserviço para processos dos clientes.
Também evoluir o modelo de go-to-market para permitir vendas mais consultivas e orientadas por IA, com entrega baseada em plataformas e precificação ligada ao valor gerado. Também parcerias baseadas em cocriação e investimentos compartilhados.
Internamente, redesenhar estratégia de talentos, com equipes mais flexíveis, distribuídas e orientadas por competências. Também uma cultura organizacional renovada para operar com estruturas mais ágeis e mentalidade “tecnologia em primeiro lugar”.
Segundo a Bain, movimentos de M&A podem acelerar a diferenciação em áreas como dados, plataformas de IA e tecnologias emergentes.
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