
O Google, controlado pela Alphabet, deve iniciar em breve testes em seu mecanismo de busca na Europa para ampliar a visibilidade de concorrentes e reduzir o risco de uma nova multa por parte da Comissão Europeia. A informação foi publicada pela Reuters nesta terça-feira (25).
Em meio à pressão regulatória imposta pela Digital Markets Act (DMA), legislação europeia que estabelece obrigações mais rígidas para as chamadas “gatekeepers”, o Google foi formalmente acusado, em março do ano passado, de favorecer seus serviços em buscas relacionadas a hotéis, voos e restaurantes, em detrimento de concorrentes especializados.
Segundo a Reuters, a empresa pretende alterar a forma como os resultados são apresentados, exibindo simultaneamente links de buscadores verticais, plataformas especializadas em segmentos como turismo e alimentação, e serviços próprios do Google. A mudança prevê que mecanismos verticais mais bem posicionados apareçam automaticamente na página de resultados, sem necessidade de ação adicional do usuário.
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Além disso, empresas de hotéis, companhias aéreas, restaurantes e serviços de transporte que fornecem dados em tempo real por meio de feeds poderão ser destacadas acima ou abaixo da lista desses buscadores especializados. A primeira fase dos testes deve focar pesquisas por hospedagem, com posterior ampliação para voos e outros serviços.
Até o momento, o Google vinha apresentando propostas para atender às exigências europeias, mas ainda não havia colocado alterações definitivas em prática. Rivais do setor argumentaram que as sugestões anteriores eram insuficientes para garantir igualdade de competição.
Risco financeiro elevado
A DMA prevê penalidades que podem chegar a 10% do faturamento global anual de uma companhia em caso de descumprimento. Para o Google, isso representa um risco financeiro significativo. Desde 2017, a empresa já acumulou cerca de 9,7 bilhões de euros em multas aplicadas por autoridades europeias por diferentes infrações antitruste.
O endurecimento da regulação europeia sobre as chamadas Big Techs tem ampliado tensões diplomáticas com os Estados Unidos. A ofensiva regulatória inclui não apenas questões concorrenciais, mas também regras que exigem maior responsabilidade das plataformas na moderação de conteúdos ilegais ou prejudiciais.
Disputa com buscadores verticais
O embate atual envolve principalmente serviços de busca vertical (VSS, na sigla em inglês), que atuam em nichos específicos, como reservas de hotéis e passagens aéreas. Essas empresas sustentam que o Google utiliza sua posição dominante no mercado de busca geral para direcionar tráfego aos próprios serviços, prejudicando concorrentes.
Ao reformular o layout dos resultados, o Google tenta demonstrar boa-fé regulatória e evitar uma decisão formal que resulte em sanções. A Comissão Europeia não comentou oficialmente os detalhes das possíveis mudanças.
A Europa tem liderado a criação de marcos regulatórios mais rigorosos para limitar práticas consideradas anticompetitivas, estabelecendo precedentes que podem influenciar outras jurisdições.
Procurada pela Reuters, a empresa não divulgou detalhes adicionais sobre cronograma ou formato definitivo das alterações. A expectativa, segundo a Reuters, é que os testes comecem em breve em países europeus.
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