
A cadeia do agronegócio responde por cerca de um quarto do PIB do Brasil — e, dentro desse universo, o mercado de grãos ocupa uma posição estratégica. É justamente nesse ponto que entra a Grão Direto, startup que conecta compradores e vendedores de soja, milho e outros grãos por meio de uma plataforma digital.
Fundada oficialmente em 2018 e sediada no Triângulo Mineiro, a Grão Direto negociou mais de 8 milhões de toneladas de grãos em 2024, cerca de 3% da produção brasileira, segundo o cofundador Alexandre Borges.
O executivo foi o convidado desta semana do podcast MVP com Emerging Giants, iniciativa da KPMG, voltada a discutir a nova geração de empresas de alto crescimento no país.
Além de simplificar a negociação entre produtores, cooperativas e tradings, a Grão Direto também vem ampliando sua atuação em inteligência de mercado. A empresa lançou neste ano seu primeiro índice de preços da soja, desenvolvido com metodologia assegurada pela KPMG, reforçando a aposta em dados como pilar estratégico para o setor.
Para Alexandre, a transformação digital no campo já é uma realidade, e vai muito além da automação de processos. “O agro, especialmente dentro da porteira, já passou por revoluções tecnológicas com impacto muito profundo. E muita gente no mercado pode ter essa percepção de que o produtor é mais conservador, e é o contrário. Eles entendem o valor da tecnologia”, afirma.
O fundador acredita que é apenas uma questão de tempo até que o agro tenha um grande player entre as startups, como aconteceu com o Nubank, no segmento de fintechs, e iFood, nos apps de delivery, por exemplo.
“Vai ser uma consequência natural da vocação do país, das empresas que temos no ecossistema. Claramente, se você olha para trás, o investimento em agro pensando em empresas de tecnologia veio depois. Nosso primeiro investimento veio em 2018, e era extremamente difícil fundos de venture capital investirem em agro. Enquanto que ali já tinham fintechs sendo investidas há cinco, seis anos”, pondera.
Segundo Alexandre, o agro tem as suas particularidades, mas um espaço “gigantesco” para crescer no país. Ele afirma ainda que os últimos anos selecionaram não apenas as startups, mas também os investidores que de fato entenderam o setor.
“O mercado de venture capital não está acostumado com um setor onde o Brasil é a referência. O benchmark é o Brasil, e isso causa um certo espanto. Então acho que essa fruta está amadurecendo e em breve algumas serão colhidas. Mas falta venture no nosso capital”, brinca o empreendedor.
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