
Ainda quando era CEO da Virgo, Daniel Magalhães viu um novo desafio tecnológico: o de organizar a “bagunça” de informações do mercado de capitais – entre gestoras, securitizadoras, agentes autônomos e outros players – para criar uma tela de visualização referência para o ecossistema de crédito privado. Dessa ideia surgiu a Vitrify, que depois de um ano de validações, quer acelerar em 2026 – e embolsou um investimento-anjo de R$ 1 milhão para isso.
Fundada por Daniel há cerca de um ano e também contando com outro ex-Virgo – o CTO Edson Lopes – entre os sócios, a Vitrify usa inteligência artificial para extrair, classificar e higienizar dados a partir de documentos de diferentes instituições financeiras, como B3, Ambima, além de bancos e outros players.
O plano da Vitrify é ser uma espécie de “oráculo” para o ecossistema de crédito privado, operando de forma transversal, principalmente ajudando a organizar o mercado secundário, algo que, conforme explica Daniel, ainda carece de soluções especializadas. Atualmente a plataforma já conta com mais de 9.700 CRs, CRIs, CRAs e debêntures, algo em torno de 60% dos documentos disponíveis no mercado.
“O nosso grande propósito com a Vitrify é diminuir a arbitragem, é aumentar a transparência do mercado, aumentar a qualidade da informação e apoiar os participantes a terem mais dados e ferramentas para fazerem mais negócios”, resume Daniel, em conversa com o Startups.
Atualmente a empresa já conta com mais de 50 clientes, e nomes como BTG e Itaú já utilizam a tecnologia, assim como gestoras de crédito como a Suno, além de escritórios de agentes autônomos e securitizadoras. Emissores também devem se tornar uma parte importante dessa rede, plano que está em andamento para 2026.
Após passar boa parte de 2025 validando sua tecnologia com os primeiros parceiros, a Vitrify iniciou sua monetização em novembro do ano passado. Segundo Daniel, a resposta foi positiva, a fintech fechou o ano com uma receita recorrente mensal (MRR) de 50 mil, e a expectativa é escalar isso rapidamente.
“Já passamos dos R$ 100 mil, devemos bater o breakeven até o meio do ano com um MRR de R$ 250 mil e queremos fechar o ano com R$ 500 mil em receita recorrente”, destaca Daniel, apontando que isso é apenas a ponta do iceberg em um mercado que movimenta mais de R$ 700 bilhões anualmente. “Em um horizonte de cinco anos, projetamos um ARR entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões”, completa.
Investimento para acelerar
Para impulsionar seus planos de crescimento, a Vitrify levantou uma rodada-anjo de R$ 1 milhão, que trouxe para perto founders experientes como o fundador da Matera, Carlos Neto. Segundo Edson Lopes, o capital está sendo utilizado para o desenvolvimento de novos módulos e aprofundar a qualidade dos dados, especialmente com o uso de inteligência artificial.
“IA tem custo, tanto para treinar quanto para manter funcionando. Basicamente a gente está dando profundidade de dados, porque é isso que a gente percebe que o mercado quer. Além de ter o acesso, ele quer ter o acesso que ele possa confiar”, destaca Edson.
Conforme explica o CTO, atualmente o modelo de negócio é baseado em assinaturas, com dois planos ativos e um terceiro em desenvolvimento. A diferenciação entre eles é feita pela profundidade de dados e pela quantidade de ferramentas habilitadas.
A estratégia de expansão também inclui o modelo land and expand: no BTG, já são duas áreas com licenças contratadas; no Itaú, quatro contratos em negociação; no Bradesco, outros dois. “O analista que foi impactado pela Vitrify, quando ele muda de empresa, ele leva a gente pra lá também. Tem muito efeito de rede no que a gente tá construindo”, pontua Daniel.
A “herança” da Virgo
Tanto Daniel quanto Edson já tinham deixado a Virgo para tocar a Vitrify antes das polêmicas que envolveram a securitizadora em meados do ano passado. Para quem não sabe, a empresa foi acusada de movimentar irregularmente cerca de R$ 216 milhões de fundos de reserva em operações de risco. Depois deste caso, a empresa chegou a ser adquirida em outubro pela Riza Holding.
Contudo, Daniel não teme que o caso negativo da fintech onde foi CEO por cinco anos “respingue” em seu novo negócio. Para o executivo, sua trajetória não só na Virgo, mas em outros players grandes do setor financeiro, como Itaú, dá a credibilidade necessária, tanto que diversos clientes grandes já “abraçaram” a Vitrify.
“Eu acho que a Virgo faz parte da nossa história, mas acho que é a parte boa da Virgo. Ter, de fato, em cinco anos, transformado a companhia, construído tecnologia, atingido uma liderança de mercado. E nós decidimos sair, eu primeiro e depois o Edson, justamente por querer estar mais próximo da tecnologia e não do transacional, da prestação de serviços do mercado. A gente nunca teve questionamento nenhum”, finaliza.
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